VEMCAPSI: construindo novos dispositivos políticos no Instituto de Psicologia

Description
Neste artigo é contada e discutida a experiência de um grupo de estudantes que, ao assumir a direção de duas gestões (2002 e 2003) do Centro Acadêmico do Instituto de Psicologia (CAPSI) da UERJ, propôs e realizou uma série de ações com o intuito de

Please download to get full document.

View again

of 5
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Information
Category:

Industry

Publish on:

Views: 0 | Pages: 5

Extension: PDF | Download: 0

Share
Tags
Transcript
  VEMCAPSI: construindo novos dispositivos políticos no Instituto de Psicologia. Bernardo Suprani, Letícia Pessoa Masson, Luciana Vanzan, Marcela Peralva Aguiar, Marcello Santos Rezende, Melissa Marsden e Taís de Lacerda Gonçalves.  este artigo pretende!os contar e re"letir so#re a $ist%ria de u! grupo de estudantes &ue, ao assu!ir a direç'o de duas gest(es )*++* e *++- do entro Acad/!ico do 0nstituto de Psicologia )APS0- da 12R3, prop4s e realizou u!a s5rie de aç(es co! o intuito de repensar a "or!aç'o e! psicologia, a atuaç'o do psic%logo e o papel da universidade p6#lica na sociedade. Ao !es!o te!po, pretende!os re"letir so#re essa $ist%ria. 7l$ando para o passado, nota!os &ue 5ra!os !ais ine8perientes do &ue pens9va!os ser na 5poca, e esta ine8peri/ncia certa!ente atuou de duas "or!as distintas: se, por u! lado, nos i!possi#ilitou de antever certas li!itaç(es e! nossas propostas, por outro, "oi o &ue nos encora;ou a apostar nu!a nova "or!a de atuaç'o política para o 0nstituto de Psicologia )0P-.7 início desta $ist%ria se d9 antes !es!o da organizaç'o de u!a c$apa para concorrer < eleiç'o do APS0. 2! *+++, ;9 co!ent9va!os co! outros alunos, e! conversas in"or!ais nos corredores do 0P, &ue no nosso curso $avia pouca !ovi!entaç'o política. A i!press'o era de &ue os estudantes, de u!a "or!a geral, estava! preocupados apenas co! suas vidas e carreiras individuais, interessando=se so!ente e! assistir suas aulas, se! &ue $ouvesse u! co!pro!eti!ento !aior co! a universidade ou at5 !es!o co! o curso de &ue "azia! parte.Por5!, e! ;aneiro de *++>, ocorreu o ?V00 2ncontro acional de 2studantes de Psicologia )22P- e! Londrina, na 1niversidade 2stadual de Londrina )12L-. 7 con$eci!ento da e8ist/ncia desse evento nos ani!ou por&ue possi#ilitaria o contato co!  pessoas &ue possuía! as !es!as a"inidades pro"issionais, vindas de di"erentes cantos do país, dentro de u! cli!a "estivo. Ao c$egar!os e! Londrina encontra!os !ais do &ue podería!os esperar. 2ra! !ais ou !enos >.+++ estudantes de todo o país, "estas, rodas de viol'o, encontros e, para nossa surpresa na&uele !o!ento, !uita discuss'o política. A i!age! &ue tín$a!os do &ue seria u! encontro de estudantes n'o era e8ata!ente o &ue est9va!os vivenciando. 0!pressionou=nos >  encontrar no !eio da&uela at!os"era "estiva a ocorr/ncia per!anente de o"icinas e "%runs nos &uais se discutia! co! #astante seriedade e co!pro!eti!ento os ru!os da Psicologia no Brasil. A "re&@/ncia dos participantes do 22P nestas reuni(es n'o era grande  e! torno de + a >++ pessoas  !as $avia u! grupo assíduo e, aos poucos, "o!os perce#endo &ue i!portantes &uest(es estava! sendo de#atidas ali, co!o a re"or!a curricular do curso, a avaliaç'o institucional o#rigat%ria, ent'o i!ple!entada pelo M2 )con$ecida co!o PR7VC7-, o co!pro!eti!ento social da Psicologia e! !eio a u!a grande diversidade de "or!as de atuaç'o pro"issional, entre outros te!as de e8tre!a relevDncia.Ao voltar!os ao Rio de 3aneiro tive!os u!a di!ens'o !aior do &u'o prec9rio se encontrava nosso curso &uanto < e8ist/ncia de espaços coletivos de discuss'o, < integraç'o entre os estudantes e < aus/ncia de re"le8(es so#re os te!as centrais de#atidos co! tanto a"inco no 22P. 7 inc4!odo co! a situaç'o do 0P au!entava a cada dia. As reuni(es do APS0 era! "ec$adas aos integrantes da sua direç'o e n'o $avia &uase nen$u! outro espaço de discuss'o para os estudantes do curso de Psicologia. Euería!os !udar essa realidade, criar novos dispositivos e intervir de "or!a !ais consistente no curso.A partir disso, co!eça!os a conversar co! outros colegas &ue co!partil$ava! dessa !es!a insatis"aç'o e co!#ina!os de nos encontrar se!anal!ente para discutir propostas  pr9ticas de !udança no curso e talvez a possi#ilidade de "or!aç'o de u!a c$apa para concorrer < direç'o do APS0. 2ssas reuni(es !antivera!=se siste!atica!ente, u!a vez por se!ana, at5 o "inal do ano. 2las era! a#ertas a &ue! tivesse interesse. onvid9va!os nossos colegas e, entre os &ue ia! e vin$a!, alguns "icava! e se !ostrava! real!ente dispostos < construç'o coletiva desse !ovi!ento. As reuni(es tivera! início no !/s de !arço de *++>. 2! nove!#ro da&uele !es!o ano ocorreria o processo eleitoral para a direç'o do APS0, e co!eça!os a pensar real!ente na possi#ilidade de "or!aç'o de u!a c$apa para concorrer < eleiç'o. 7 !ovi!ento "oi iniciado a partir de u!a receita a princípio si!ples: insatis"aç(es, son$os, vontade de trans"or!ar a realidade &ue vivía!osF tudo isso "er!entado por #oas conversas nos encontros pelos corredores da "aculdade. Assi!, #atiza!os este !ovi!ento co! o no!e de V2MAPS0, nu!a tentativa de c$a!ar os estudantes a participar conosco deste  processo de a!pliaç'o dos espaços de discuss'o  restritos, at5 este !o!ento, aos corredores *   , tentando ro!per co! a ato!izaç'o e a passividade e! &ue nos encontr9va!os. Vale dizer, &ue pretendía!os continuar nos reunindo !es!o se n'o "4sse!os eleitos.Ap%s &uase u! ano de discuss(es o grupo, &ue co!eçara co! &uatro pessoas, $avia au!entado para doze, dentre os &uais oito participaria! o"icial!ente da c$apa e os outros atuaria! co!o cola#oradores. or!ula!os propostas de aç(es e, e! deze!#ro de *++>, ap%s a realizaç'o de algu!as asse!#l5ias, consegui!os organizar u! processo eleitoral. Ao "inal deste, nen$u!a outra c$apa al5! da nossa tin$a se candidatado e a eleiç'o aca#ou servindo  para avaliar se o con;unto dos alunos concordava ou n'o co! nossas id5ias e se legiti!ava! nosso grupo co!o "utura direç'o do APS0. ossas principais propostas "ora! divulgadas atrav5s de pan"letos e cartazes, &ue de u!a "or!a resu!ida era! as seguintes: • Pro!oç'o de espaços p6#licos de discuss'o so#re a Re"or!a curricular e! curso. • Realizaç'o de eventos &ue discutiria! a inserç'o do Psic%logo na pro"iss'o atrav5s de de#ates co! pro"issionais "or!ados &ue pudesse! trazer contri#uiç(es de suas pr9ticas. • Realizaç'o de reuni(es se!anais a#ertas na sala )sede- do APS0, co! a pauta  previa!ente divulgada de "or!a a!pla atrav5s de cartazes. • riaç'o de u!a cai8a de sugest(es atrav5s da &ual os alunos poderia! dar sua opini'o, caso n'o se sentisse! < vontade ou n'o tivesse! te!po de participar das reuni(es. • or!aç'o de u! consel$o de representantes constituído por dois representantes eleitos de cada período do curso, de "or!a &ue a gest'o do APS0 n'o "icasse centralizada apenas e! sua diretoria. • Participaç'o dos representantes da direç'o do APS0 nas reuni(es de departa!ento dos  pro"essores e divulgaç'o do conte6do dessas reuni(es para o con;unto dos alunos. • 2la#oraç'o de u! ;ornal !ensal co! os seguintes o#;etivos: in"or!ar os estudantes so#re tudo &ue estava acontecendo nas discuss(es propostasF divulgar eventos e est9giosF dar oportunidade para os estudantes e8pressare! suas id5ias atrav5s de artigos. • riaç'o de espaços de e8press'o cultural, &ue seria! atividades voltadas para a con"raternizaç'o e integraç'o dos alunos. 2sses espaços teria! u! car9ter !ais "estivo e l6dico, onde os estudantes poderia! cantar, tocar, decla!ar poesias etc.   Ter!inado o processo eleitoral, os alunos nos escol$era! para representar o APS0 no ano de *++*. 0nicial!ente tive!os di"iculdade e! i!plantar algu!as propostas devido a nossa ine8peri/ncia e! ter!os de organizaç'o estudantil, !as aos poucos "o!os aprendendo e ao "inal do ano tín$a!os conseguido realizar pratica!ente todos os nossos o#;etivos iniciais.H i!portante destacar &ue se tudo isto p4de ser realizado "oi graças < participaç'o do con;unto dos alunos e! nossas atividades. 0nicial!ente, !uitos estudantes c$egava! <s reuni(es co! u!a id5ia preconce#ida a respeito do &ue era u! entro Acad/!ico ).A-. A id5ia &ue "azia! era a de &ue o .A. deveria ser u!a esp5cie de clu#e particular e sua sala )sede- seria usada apenas por u! grupo "ec$ado de alunos para I!atarJ aula, socializar e "alar de política. 2sta id5ia, coerente co! o &ue !uitas vezes ocorre nos entros Acad/!icos e! geral, dei8ava os estudantes pouco < vontade para participar das atividades ou !es!o "icar na sala )sede- do .A. Aos poucos, "o!os !ostrando &ue nossa proposta era di"erente deste estere%tipo e &ue u! dos nossos o#;etivos era tornar o APS0 u! lugar de acol$i!ento para os estudantes e representativo destes, co!eçando, inclusive, pela sala )sede- &ue, desde &ue "o!os eleitos, esteve se!pre a#erta a todos os estudantes e "oi paulatina!ente decorada co! a  participaç'o de todos. Assi!, no início, os alunos ia! <s reuni(es apenas co!o ouvintes e &uando perce#ia! &ue suas "alas era! ouvidas, respeitadas e produzia! e"eito co!eçava! a se ver co!o parte da&uele processo de !udança.Kesse !odo, o n6!ero de cola#oradores "oi crescendo progressiva!ente ao longo do ano de *++*, o &ue possi#ilitou n'o apenas o "ortaleci!ento de nossos o#;etivos co!o, e especial!ente, a criaç'o de novos. As realizaç(es &ue partira! deste !ovi!ento "ora! t'o pro"ícuas &ue decidi!os tentar u!a reeleiç'o no ano de *++ para &ue pud5sse!os dar continuidade as nossas atividades.  este ano $avia outra c$apa concorrendo e a disputa nas eleiç(es "oi #astante acirrada. Kecidi!os &ue nos !antería!os "i5is as nossas propostas, se! nos perder!os e! provocaç(es co! a outra c$apa. 2 a estrat5gia "uncionou, pois gan$a!os nova!ente as eleiç(es e pude!os e8pandir nossa atuaç'o.A partir desta segunda gest'o senti!os &ue $avia u! respeito por parte dos alunos e dos pr%prios pro"essores ao nosso tra#al$o. A esta altura ;9 $avía!os con&uistado !uitos espaços aos &uais antes tín$a!os pouco acesso, co!o, por e8e!plo, as reuni(es de   departa!ento do 0P, &ue passara! a contar co! u! representante do APS0 para cada departa!ento, de"endendo o interesse dos alunos. Al5! disso, "icou !ais "9cil a organizaç'o de atividades culturais co!o os psicocines  sess(es de "il!es seguidas de de#ate , palestras, Se!anas da Psicologia e nosso ;ornal, &ue de!andava! tanto a participaç'o dos alunos  &ue n'o apenas co!parecia!, !as nos a;udava! a organizar estas atividades  co!o a participaç'o direta eou indireta dos pro"essores. Alguns pro"essores participava! dando palestras ou de#atendo u! deter!inado "il!e conosco, outros escrevia! u! artigo para a seç'o dos  pro"essores &ue $avia no ;ornal, outros li#erava! os alunos de sua aula para &ue estes  pudesse! co!parecer a u! de nossos eventos. 2ssa cooperaç'o entre os representantes do APS0, o con;unto dos estudantes e os pro"essores do 0P "oi algo !uito i!portante para n%s, especial!ente nesta segunda gest'o, &uando ;9 $avia u!a relaç'o de con"iança esta#elecida. Vale destacar &ue ta!#5! atua!os e! outras atividades políticas relacionadas a te!as !enos ligados ao 0nstituto de Psicologia propria!ente, co!o, por e8e!plo: u!a articulaç'o co! outros cursos de psicologia, &ue resultou no #oicote ao PR7VC7 de *++F organizaç'o de u! se!in9rio so#re Psicologia e Movi!entos Sociais, co! a participaç'o de !e!#ros do Movi!ento dos Tra#al$adores Rurais Se! Terra )MST- e da Re"or!a Psi&ui9tricaF e apoio a u! pr5=vesti#ular co!unit9rio, &ue acontecia nu!a das salas do 0P.No;e, ol$ando para nossa $ist%ria, nos senti!os orgul$osos do &ue consegui!os construir en&uanto estudantes e !e!#ros do APS0 > , e perce#e!os, co!o pro"issionais, a di"iculdade de encontrar espaços de troca e de e"etiva !udança parecidos co! a&uele e! nossos a!#ientes de tra#al$o. 0ndaga!o=nos so#re &ue dispositivos poderia! ser criados para &ue esses espaços "osse! construídos. erta!ente, a #usca pela construç'o coletiva, algo &ue vivencia!os intensa!ente nos te!pos de A, continua sendo u! desa"io na vida de todos n%s. >  Me!#ros das gest(es e seus cola#oradores !ais pr%8i!os: Andr5 elipe )Bar#a-, Bernardo Suprani, Kaniela Al#rec$t, Guil$er!e arval$o, 0sa#el Li!a, 0gor Torres, Letícia Masson, Luciana Vanzan, Luis Gustavo Oagner, Marcela Peralva Aguiar, Melissa Marsden, Marcello Rezende, M4nica osta, Taís de Lacerda Gonçalves, Val&uiria Pucu e Vivian Studart. 
Related Search
Similar documents
View more...
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks