Soli Aeterno Lunae – Cultos astrais em época pré-romana e romana na área de influência da Serra de Sintra: ¿Um caso complexo de sincretismo?

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   J OSÉ  C  ARDIM  R  IBEIRO  595    SOLI AETERNO LVNAE CULTOS ASTRAIS EM ÉPOCA PRÉ-ROMANA E ROMANA NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DA SERRA DE SINTRA: ¿UM CASO COMPLEXO DE SINCRETISMO?  José C  ARDIM  R  IBEIRO The imperial sanctuary devoted to the Sun and to the Moon is situated at the coast of   Ager olisiponensis  , at the Cape Roca’s area, also called the   Promunturium Magnum  , definitely the   finis terrae of the Ancient World. The inscriptions   CIL  II 258 and 259, as well as the ara dedicated by   C. Iulius Celsus  , kept at the São Miguel de Odrinhas Archaeological Museum, were srcinally from this sanctuary. According to the historiography of the last century, and still today, researchers usually see a connection between this   templum and regional phenomena  – including some chronologically previous – related to the cult of the stars. Some examples of these phenomena are the limestone  “  lunulae ” found in the chalcolithic tombs around the Sintra Mountain; the proto-historic   locus sacer of the “Lage Erguida”, situated at the coastline, which includes rock engravings related to the solar movement and to the sunset; and the Mountain itself, called   Mons Sacer by Varrão and Columela and      by Ptolomeu, who also called      to its natural extension – the Cape Roca  . Topographically, there is a relation between this mountain and the classic myth of the mares, fertilized by Zephyrus  , who brought a humid and seminal mist from the Ocean. Could this be, in fact, a complex case of syncretism between prehistoric, proto-historic and roman cult of the stars in Sintra Mountain´s area, which lead to this imperial sanctuary? In order to answer this question, firstly we will analyse separately the several evidence of the cult of the stars pertaining to this area,  from the older to the roman ones. Secondly, we will highlightcultural and conceptual characteristics and contexts related to that evidence. Finally, we will show its clear independency, including its predominant aims in terms of cult and their religious function and purpose. The only connection, truly relevant, in evidence is the landscape in which it happens. This landscape is defined by immutable geo-morphological traces, such as the omnipresence of the Mountain and the striking and extended coastline, turned to West and to the Ocean. We will also focus the different cultural archetypes of the several populations which, in time, lived or in any way were related to this landscape. Even if these populations have integrated certain common models in conceptual terms, they show nevertheless multipleand evident differences of perspective,  fundamentally in their global comprehension of the symbols connected to this territory.Traditionally, this territory waslimited by a microcosmic interpretation. But in the imperial time and under the   orbis Romanus  perspective, it gained a truly macrocosmic dimension. Therefore, more than simple and direct Sintria  , III-IV (1995-2007), 595-624  596 1. O primeiro monumento (  CIL   II 258), dedicado Soli et Lunae   por um legatus Augusti pro praetore provinciae Lusitaniae   com gentilício de leitura con- troversa – provavelmente Tigidius   ou Tulcidius  (2)  – e com o cognomenPerennis  ,poderá datar de 180-198 d.C., ou seja, do imperialato de Cómodo ou do de Septímio Severo antes da proclamação de Caracala como  Augustus   (cfr. Balil, 1965, p. 53; Alföldy, 1969, p. 143; Le Roux, 2006, p. 373, n.º 4).  J. C  ARDIM  R  IBEIRO , Soli aeterno Lunae    Sintria  , III-IV (1995-2007), 595-624   ways of syncretism or of interpretatio  , it should be identified in th  is “cumulative” process some “guiding  principles”, which point out certain continuities as well as multiple differences. It seems, then, that the accurate metaphor “inherited conglomerate”, used and promoted by Eric Dodds, is pertinent to help us understand this complex and dynamic moment in History.  As a complementary result of this article and in the perspective of some remarkable observations recently done by Ioan Piso, it needs to be pointed out the new and more attentive interpretation and reconstitution we have done in the beginning of this study about the ara dedicated by   C. Iulius Celsus  , which in fact reveals to be simultaneously devoted to the Sun (to the Moon) and to the Ocean  . Os monumentos epigráficos Quando, em 1861, Emílio Hübner veio pela primeira vez a Portugal, deslocou-se propositadamente a Sintra a fim de observar as inscrições consagradas ao Sol e à Lua, provenientes de um santuário situado sobranceiro à foz do Rio de Colares, e que este autor considerava como as mais impor-tantes de toda a região (Hübner, 1871, pp. 15-16). Porém, não conseguindo localizar as epígrafes, já então desaparecidas, teve de se contentar em reproduzir no volume II do CIL  , sob os n.º s  258 e 259, os respectivos textos e suas variantes apenas com base nas antigas fontes impressas e manuscritas (1) .  2. O segundo (  CIL   II 259) invoca Soli Aeterno Lunae, pro aeternitate Imperii et salute  Imperatoris Caesaris Lucii Septimii Severi Augusti Pii, et Imperatoris Caesaris  Marci Aurelii Antonini Augusti Pii, et Publii Septimii Getae Nobilissimi Caesaris, et Iuliae Augustae Matris Castrorum  . Trata-se de um texto datável, de uma forma lata, de 198 a 209 d.C., anos limites estabelecidos a partir do título Pius  conferido a Caracala (finais de 198 (3)  ) e o de  Augustus   atribuído a Géta (Setembro/Outubro [?] de 209), que não surge ainda nesta epígrafe; mas, dentro da referida década, o momento mais provável deverá situar-se entre os anos de 201 – a meio do tão significativo período em que o Imperador e sua família percorreu o Egipto e a Síria (de finais de 199 a Abril de 202; cfr., especificamente quanto a este “ciclo”, o já clássico artigo de Hannestad, 1944) e que corresponde às tão expr essivas cunhagens “dinásticas”  Aeternit(ati)  597   J. C  ARDIM  R  IBEIRO , Soli aeterno Lunae    Fig. 1 – Troço superior da ara SMO/LR/55/26: a  – início da epígrafe no seu estado actual; b  – proposta de reconstituição da linha 1. ab Sintria  , III-IV (1995-2007), 595-624  598  J. C  ARDIM  R  IBEIRO , Soli aeterno Lunae    Imperi(i) , nas quais surgem conjuntamente os bustos de Septímio Severo e de seus filhos (4)  – e o de 204 – em que faustosamente se comemorou o início do Saeculum Novum   (cfr., v.g  ., Gagé, 1934) –, assinalando-se entretanto, em Abril de 202, as pomposas festividades que reuniram o Triunfo pártico, os Decennalia   e o casamento de Caracala (cfr. Chastagnol, 1984), bem como a construção e a inauguração, no ano seguinte, não apenas do grandioso arco triunfal erguido no velho  forum   mas, também, do tão singular monu-mento de cariz astrológico denominado Septizodium  , ou Septizonium  , no qual predominava, ao centro, uma colossal estátua do Imperador assimilado ao próprio Sol (cfr., v.g  ., Gorrie, 2001; e Lusnia, 2004). O dedicante é um legatus Augustorum   de gentilício incerto – Valerius  , Iulius  , Iunius   – e de cognomen Coelianus  (5) , que agiu conjuntamente com alguns notáveis provinciais, muito provavelmente olisiponenses (cfr. Balil, 1965, p. 52; Alföldy, 1969, p. 147; Le Roux, 2006, p. 374, n.º 5). 3. A estes dois monumentos pode hoje juntar-se um outro, cuja cuidada análise – inclusive dos vestígios literais subsistentes da truncada linha 1 – permite com assinalável grau de segurança presumir consagrado S       o    l     i      [Lunae O]c     e     a     n     o     (cfr. fig. 1) por C. Iulius C. f. Quir. Celsus  , legatus missus inLusitaniam ad census   (cfr. Lambrino, 1952, pp. 142-150, n.º 24; Pflaum, 1961, pp. 971- -972, n.º 106 bis; id., 1978, p. 159, n.º 3; Garcia, 1991, n.º 430a; Cardim Ribeiro, 1994, pp. 86-87 e figs. 4-5; Guerra, 2005, p. 127; Piso, 2008) (6) .Datará do imperialato de Antonino Pio, talvez entre 139-141 d.C. (Piso, 2008, fundamentalmente com base na análise do cursus honorum   de C. Iulius Celsus   e no consabido preenchimento do cargo de governador da Lusitânia por C. Iavolenus Calvinus   nos anos imediatamente subsequentes). Os três monumentos votivos apareceram em 1505, entre ruínas então postas a descoberto junto à foz do Rio de Colares, no litoral sintrense (cfr.  Apianus/Amantius, 1534, fl. II). Após uma leitura inicial e conjunta de carácter fabuloso (cfr. C.I.L  . II 30*), foram os textos reais das duas primeiras epígrafes transcritos e divulgados por eruditos como André de Resende (  v.g  ., 1593, fls. 38-40) e os que redigiram o manuscrito de meados do século XVI comummente designado como  AnonymusNeapolitanus   (cfr.  Anon. Neap ., fls. 37v. e 38).  As aras propriamente ditas, recolhidas em estabelecimentos religiosos de Sintra e Colares, desapareceram entretanto – Hübner, como vimos, já não as encontrou. O mesmo não aconteceu ao terceiro monumento, consi- Sintria  , III-IV (1995-2007), 595-624
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