Onde nascem e como se concretizam as mudanças na formação superior em saúde?

Description
Onde nascem e como se concretizam as mudanças na formação superior em saúde?

Please download to get full document.

View again

of 9
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Information
Category:

Slides

Publish on:

Views: 0 | Pages: 9

Extension: PDF | Download: 0

Share
Tags
Transcript
  Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 10, n. 1, p. 25-33, dez. 2008. www.ccs.uel.br/espacoparasaude   25 ONDE NASCEM E COMO SE CONCRETIZAM AS MUDANÇAS NA FORMAÇÃO SUPERIOR DA ÁREA DA SAÚDE? WHERE ARE THE CHANGES IN THE HEALTH AREA HIGHER EDUCATION BORN AND HOW DO THEY EFFECTIVELY TAKE PLACE? Alberto Durán González 1 ; Márcio José de Almeida 2   1  Farmacêutico, professor da Universidade Estadual de Londrina .Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina. 2  Médico, professor da Universidade Estadual de Londrina. Doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública/Universidade de São Paulo. * Artigo baseado em dissertação do curso de Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Londrina com o título “Mudança na Formação Superior de Profissionais de Saúde: Experiências de Ativadores do Paraná” em 2008. Correspondência: Alberto Durán González (betoduran_fbq@yahoo.com.br) RESUMO  ___________________________________________________________________  Este ensaio objetiva a reflexão sobre o compromisso do educador e a necessidade do planejamento para a efetivação de mudanças na formação superior na área da saúde. O conflito que inquieta o educador e que o faz refletir, é o mesmo que o transforma e o modifica. O avanço na construção de um novo paradigma no ensino-aprendizagem nasce do conflito trabalhado e superado. A adequação do plano idealizado à realidade vivenciada ocorre por meio do comprometimento dos envolvidos e os diferentes graus de poder e governabilidade. A mudança nasce da indignação com a realidade de educadores comprometidos, passa pelo planejamento das ações e se desenvolve nas ações e reflexões durante a implantação e implementação. Reflexão-ação-reflexão, este é o ciclo que nos move rumo à mudança na formação dos novos profissionais de saúde. Descritores:  Educação Superior; Administração de Recursos Humanos; Formação de Recursos Humanos. ABSTRACT  _________________________________________________________________________________ This essay is meant to promote a reflection upon the educator’s commitment and the need for planning effective changes in higher education within the area of health. The intriguing conflict faced by the educator makes him reflect and, at the same time, changes and transforms him. The advance in the construction of a new teaching and learning paradigm comes from the conflict that is worked upon and overcome. The adequacy of the idealized plan in relation to the experienced reality takes place by the commitment of the stakeholders and by the different degrees of power and governance. Change is born from the indignation of committed educators in face of the reality, goes through planning of actions, and develops in actions and reflections during implantation and implementation. Reflection-action-reflection – this is the cycle that moves us toward change in the formation of new health professionals. Key Words: Education, Higher; Personnel Management; Human Resources Formation.    Mudanças na formação superior em saúde Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 10, n. 1, p. 25-33, dez. 2008. www.ccs.uel.br/espacoparasaude   26Sempre ouvimos que temos de planejar nossas ações, nossos futuros, nossos passos... E muitos respondem a estes apelos dizendo que assim a vida fica sem graça, que fica tudo muito amarrado e que não desfrutamos dos momentos durante o processo. Outros dizem que planejar é impossível, já que são muitas variáveis que fogem de nosso controle. Mas uma coisa é certa, todos nós, quando encontramos algum obstáculo à nossa meta, traçamos um plano de ação que visa superá-lo ou circundá-lo em busca do tão almejado objetivo. Quando vivemos sem um plano ou no mínimo objetivos, vivemos sem motivação e principalmente sem comprometimento. Este ensaio objetiva a reflexão sobre o compromisso do educador e a necessidade do planejamento para a efetivação de mudanças na formação superior na área da saúde. O educador não está distante desta obrigação. O educador evidencia seu compromisso quando estimula o compromisso em seus estudantes. Entretanto, somente podemos nos comprometer quando somos capazes de conhecer, agir e refletir. Afinal, não agir apenas por instinto é o que nos diferencia como seres humanos. Com a impossibilidade de reflexão sobre si e sobre sua realidade, o homem se torna limitado e não poderá transpor tais limites que lhe são impostos pelo próprio mundo 1,2 . Para que ocorra qualquer mudança na formação, inicialmente deve ocorrer a reforma na esfera educacional dos educadores. Primeiramente como indivíduos e em um segundo momento como indivíduos comprometidos com a educação, os educadores 3 . Diferentemente deste “ser”, imerso no seu limitado e reduzido mundo e adaptado a ele sem ter dele consciência; o sujeito comprometido, capaz de agir e refletir, consegue se distanciar de seu mundo, observá-lo e transformá-lo. Assim, modifica o mundo em que vive e se conscientiza de que também é afetado durante o processo de modificação 2 . A dúvida faz com que reflitamos e por refletir nos tornamos sujeitos. A dúvida é mudança completa, o repensar verdades interiores, encadear informações em um novo contexto, adaptação, é verificar o que há de bom no velho e associar o que se apresenta de bom no novo. Acima de tudo, a dúvida motiva, excita e nos lança à frente mesmo que a decisão final seja de permanecer como antes 4,5 . Os profissionais/estudantes, enquanto sujeitos comprometidos e mobilizados pela dúvida em seu fazer e refletir necessitam da visão do todo e do contexto em que estão envolvidos. Devem se sentir sujeitos do processo educativo e também, aprender a identificar os demais sujeitos envolvidos, como o usuário e os outros profissionais. Como sujeito, L’Abbate 6  (p. 483) entende: [...] ser uma pessoa em busca de autonomia, disposta a correr riscos, a abrir-se ao novo, ao desconhecido, e na perspectiva de ser alguém que vive numa sociedade determinada, capaz de perceber seu papel pessoal/profissional/social diante dos desafios colocados a cada momento. A partir destes conceitos, entende-se que, inicialmente, o compromisso desse homem capaz de agir e refletir se dá com a sociedade, afinal, não existe homem sem sociedade e nem sociedade sem homem. Quando um homem se torna um profissional, além do comprometimento já existente por ser homem, ele ainda deve assumir o seu compromisso profissional. O profissional deve tratar as técnicas como instrumentos e não o fim em si, sendo senhor dos métodos e técnicas e não escravo das mesmas, já que é ele o criador dos mesmos 2 . O medo e a insegurança de se comprometer com a sociedade faz com que o homem se comprometa consigo mesmo e com seus interesses, em prejuízo dos outros e da sociedade. Para Paulo Freire 7  esse é um compromisso falso, já que a neutralidade é um ato contra a humanização e, portanto inaceitável. A passividade frente a uma realidade transformada e a inércia na busca de informações fazem com que o homem permaneça alienado. O homem passa a possuir uma consciência ingênua a toda mudança ocorrida na realidade. Somente com a descoberta de sua alienação frente a nova realidade e com a busca de informações é que esse homem passa a ter uma consciência crítica, e assim, assumir um novo compromisso com a sociedade que vive essa nova realidade 7 . Explorando ainda a temática, é com a alienação que se elimina a criatividade. O homem alienado torna-se um homem inseguro e frustrado, que preza muito mais pela forma do que pelo conteúdo. A alienação “coisifica” o homem, faz dele mais um na massa  González AD, Almeida MJ Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 10, n. 1, p. 25-33, dez. 2008. www.ccs.uel.br/espacoparasaude   27conduzida por um outro homem descompromissado com a sociedade, porém com o falso compromisso consigo. A consciência crítica é indagadora, investigativa, livre de preconceitos, reconhece a realidade como mutável e face ao novo, não repele o velho por ser velho, nem aceita o novo por ser novo, mas aceita-os na medida em que são válidos 7 . A existência própria deve ser sempre valorizada na utilização de instrumentos e métodos pedagógicos, o indivíduo não deve perder espaço a ponto de não existir perante o personagem 5 . Ser educador não é apenas uma função ou um personagem, se assim se mostrar, não existirá como pessoa. Deve haver uma mescla balanceada dos papeis, buscando o equilíbrio ideal a cada situação 4 . É essa consciência que buscamos para nós e é essa a consciência que queremos em nossos profissionais. Não queremos os profissionais deformados, acríticos que focam sua atenção única e exclusivamente no método e na técnica a ser trabalhada naquela doença. Porém como cobrar desse profissional um olhar integral e humanizado se ele mesmo não recebeu esse tratamento na universidade? Enquanto os estudantes forem vistos como ignorantes absolutos, “jarras vazias” que se enchem com o saber transmitido do educador, esses futuros profissionais continuarão a não se comprometer com a sociedade, serão profissionais alienados e massificados. É a partir da descoberta e luta contra a alienação que se possibilita o compromisso profissional-sociedade. Porém, como diz Morin 8  (p. 19): “Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão”. O conhecimento é sempre ameaçado pelo erro, pela ilusão e pelas cegueiras. O principal erro é o erro mental e, principalmente, o erro consigo. Mentir para si é uma fonte permanente de erros e ilusões, além de demandar a auto-justificativa e projetar no outro a causa do mal, ignorando que é o próprio autor daquele mal. Também existem os erros intelectuais, aqueles intrínsecos aos nossos ideais, teorias, doutrinas e ideologias 8 . As cegueiras paradigmáticas são mais constantes do que se imagina. O paradigma efetua a seleção e a determinação do conceito e de suas operações lógicas. Designa as categorias fundamentais da inteligibilidade e opera o controle de seu emprego. Com isso, os indivíduos se aprisionam; conhecem, pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles. Assim, um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar ou obscurecer, revelar ou ocultar o saber e o conhecimento. Os indivíduos criam idéias, se apropriam das mesmas e depois essas mesmas idéias se apropriam dos indivíduos. Essa domesticação do homem pelas idéias transforma indivíduos em sujeitos descompromissados e isentos de reflexões 8 . Já o inesperado, o novo, nos surpreende. Não podemos prever como se apresentará, mas temos que esperar o inesperado. Sempre que algo novo se apresenta, temos de revisar e repensar nossas teorias e idéias e não forçar a teoria incapaz de absorver esse novo fato 8 . Morin 8  (p. 31) comenta em seu livro, Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, que “o conhecimento do conhecimento, que comporta a integração do conhecedor em seu conhecimento, deve ser, para a educação, um princípio e uma necessidade permanente”. Necessitamos civilizar nossas teorias, dominá-las, desenvolver uma nova geração de teorias abertas, racionais, críticas, reflexivas e que possam se transformar de acordo com as certezas e as incertezas. As dificuldades, os “freios”, podem ser classificados de acordo com a sua srcem. Quando surgem do meio exterior para o interior do indivíduo, podemos chamar esses obstáculos de inibições. Quando esses freios surgem do meio interior e impede que se aja, podemos chamar esses obstáculos de medos. Neste contexto, educar não é domesticar, a domesticação a um plano pessoal faz com que se impeça a criação, faz com que o sujeito se torne instrumento. Sendo que o conhecimento das informações ou dos dados isolados não basta. As informações só fazem sentido e se tornam conhecimento quando são contextualizadas. Esse conhecimento se torna pertinente quando reconhece a multidimensionalidade dos problemas e enfrenta a complexidade dos mesmos. Na missão de educar, de promover a inteligência geral dos indivíduos, deve-se buscar, ao mesmo tempo, utilizar os conhecimentos existentes e superar os equívocos existentes nos conhecimentos especializados. Acima de tudo, o conhecimento deve ser pertinente. O conhecimento pertinente é aquele capaz de situar qualquer informação em seu contexto e este contexto em um  Mudanças na formação superior em saúde Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 10, n. 1, p. 25-33, dez. 2008. www.ccs.uel.br/espacoparasaude   28contexto ainda mais amplo. A busca pela pertinência do conhecimento faz com que o conhecimento progrida não tanto por satisfação, formalização ou abstração, mas, principalmente, pela capacidade de contextualizar e englobar. O conhecimento fragmentado, descolado de seu contexto, serve para muito pouco ou quase nada. Estamos afogados em informações, informações dispersas e descontextualizadas. Estas informações podem ou não se tornar conhecimento pertinente, cabe a cada um a reflexão sobre a importância e validade do mesmo 9 . Com a dispersão massificada das informações, muitas vezes perdemos o conhecimento. Vivemos de frases soltas, de temas diversos, sem saber o que realmente significam e muito menos suas utilidades. A informação é a matéria-prima usada na formação do conhecimento, portanto, o mesmo deve dominá-la e integrá-la. Sendo que o conhecimento deve sempre ser repensado e reavaliado. Assim, o pensamento retorna o capital primordial para o indivíduo e a sociedade 9 . O papel da educação é mais do que lançar ao vento e aos ouvidos desatentos, informações e fragmentos de saberes. O papel do educador deve ser semelhante ao papel do livro, não afirmar ou esconder, mas sugerir e instigar. Mostrar ao outro que aquele conhecimento é pertinente e próximo a ele. Ancorar as novas informações a saberes já existentes. Tentar, por meio do estímulo e de instrumentos didáticos, encontrar a satisfação e a excitação da nova descoberta. Quebrar com a célebre frase de René Daumal apud  9  (p. 87) que diz: “Sei tudo, mas não compreendo nada.” Para tanto é necessário buscar a compreensão e o entendimento de que por mais que se saiba e se conheça do mundo, muito ainda se esconde de nossos olhos e ainda mais coisas são escondidas porque fechamos nossos olhos para as mesmas. Morin 8  afirma que todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais; ou seja, crescer como indivíduo, das participações comunitárias; se vendo com parte da sociedade e crescer de forma coletiva, e do sentimento de pertencer à espécie humana, crescendo de forma ainda mais ampla e irrestrita. A dissociação entre o sujeito e o objeto, proposto inicialmente por Descartes, remete o sujeito ao plano metafísico, enquanto o objeto é destinado à ciência. A educação que separa e reduz o caráter complexo do mundo a fragmentos desunidos, fraciona os problemas e unidimensiona a realidade multidimensional. “Todo conhecimento objetivo comporta um conhecimento subjetivo, uma mente que filtra e traduz as mensagens do mundo exterior.” 3  (p. 54). Morin 3,8,9  cita em seus livros a formulação de Blaise Pascal apud  3  (p. 32) que exprime bem a importância do olhar complexo e integral, “eu considero impossível conhecer o todo se não conheço particularmente as partes como conhecer as partes se não conheço o todo.” Se pensarmos que cada um possui um olhar específico e único da realidade, e que esses olhares, cada um deles, são verdadeiros para cada um de nós, devemos entender então que cada um deve criar esse olhar com seu acúmulo de conhecimento, seus interesses e suas limitações, construindo assim a relativização daquela realidade. Quando esses homens, capazes de agir e refletir, estão envolvidos de alguma maneira entre si, desenvolvendo relações, os mesmos são chamados de sujeitos frente aquele cenário específico. Quando os sujeitos optam por agir e refletir e, portanto, criam um campo de forças que é onde se desenvolvem as ações, os mesmos são chamados atores deste cenário. Dessa forma, cada ação proposta gera um campo de forças que é o resultado da relação dos atores, que são os sujeitos que optam por agir frente àquela ação 10 . Os sujeitos se transformam em atores quando tomam a decisão de agir, de inserir-se no cenário de conflito. Esta decisão em geral parte de uma insatisfação, um conflito, e para tomar esta decisão de maneira correta, o sujeito/ator deve analisar: o tipo de poder que dispõe, a força com que conta e a motivação que é a resultante de seu interesse e o valor que o ator atribui àquela ação. Deve também avaliar estes fatores nos demais atores envolvidos, verificando parceiros e opositores. Torna-se importante mencionar que as relações entre os homens são reflexivas, conseqüentes, transcendentes e temporais. Reflexiva no sentido de que só existe relação se o homem se torna sujeito, apto a agir e refletir. Conseqüente, porque se espera resultados dessa relação. Transcendente, porque o homem pode estabelecer relação com seres infinitos, existentes no plano físico ou não, seres racionais ou não, já que as relações podem ser estabelecidas por meio da  González AD, Almeida MJ Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 10, n. 1, p. 25-33, dez. 2008. www.ccs.uel.br/espacoparasaude   29domesticação, submissão, resignação, coação entre outras. Temporal por assim também serem os homens. Objetivam o tempo, temporizam-se, fazem história e se tornam história 2 . O poder é uma categoria analítica, uma abstração da realidade que auxilia na explicação da realidade. Poder pode ser apresentado como a capacidade que alguém, pessoa ou um grupo de pessoas institucionalizadas ou não, possuí ou se apropria. Complementando, é a capacidade que um ator possui para atingir seus objetivos. A maneira como ele coloca o seu poder em prática, o movimento, é chamado de força 10 . Cecilio 1  define atores como indivíduos ou grupos que possuem poder de decisão e que respondem tanto no campo intelectual quanto no campo político. Intelectual porque constroem referenciais de realidade que condicionam a percepção de atores secundários. No campo político porque articulam uma nova hierarquia, muitas vezes, impondo a hegemonia de seu grupo. Para uma análise correta e mais profunda do poder, deveríamos nos debruçar sobre os resultados do exercício do poder, os tipos de poder, os recursos, os prazos e os tempos do poder e as formas como ele se organiza. Porém como o objetivo aqui é apenas um rápido olhar sobre esta importante “arma” para o planejamento, buscaremos ao menos trabalhar com o resultado do exercício do poder e com os tipos de poder 10 . Testa 10  elenca o poder cotidiano e o poder societal com relação aos resultados do exercício do poder. E classifica como sendo poder cotidiano o poder exercido nas decisões sobre que coisas fazer e como fazê-las. Enquanto o poder societal resulta em alterações na sociedade. O poder cotidiano, em geral, é individual e voltado para dentro da instituição. Já o poder societal pertence a grupos e são dirigidos para fora de instituições. O poder societal engloba o poder cotidiano e é diretamente afetado por ele 10 . Quanto aos tipos de poder, Testa 10  elenca três tipos: técnico que se relaciona com as informações, o administrativo que se relaciona com os recursos e o político que se relaciona com a capacidade de mobilizar os demais sujeitos. O poder pode ter base em saberes empíricos com prática de dominação, onde podemos citar o machismo; pode ter bases em saberes empíricos com prática hegemônica, como é o caso das lideranças e do fanatismo; pode também ter bases em saberes científicos com prática de dominação, como as ditaduras ou até mesmo a burocracia; e por último ter bases em saberes científicos com prática hegemônica, onde podemos citar o que os caminhos apontam como sendo a evolução do tipo de poder, o poder político de classe. Entendamos aqui como práticas hegemônicas as práticas que viabilizam e realizam o projeto apresentado, enquanto práticas dominadoras são práticas de submissão, coação entre outras formas de dominação 10 . Para Matus 11 , planejar significa pensar antes de agir, pensar de maneira sistemática e com método, verificando vantagens e desvantagens, é se propor objetivos. Seria como uma projeção ao futuro verificando qual o melhor caminho para se chegar nele. Planejamento é um cálculo que precede e preside a ação para criar o futuro, não para predizer ou adivinhar o futuro. Para Testa 10 , o planejamento é uma prática social e suas categorias devem ser contextualizadas a partir da realidade social que se apresenta. Estratégia pode receber inúmeras definições. Podemos tratá-la como a arte de explorar condições favoráveis com o fim de alcançar objetivos específicos. Simplesmente como o meio para se alcançar um objetivo. Podemos observar como a estratégia é definida pela sua srcem militar, onde se mostra clara a necessidade de uma estratégia para se mediar uma situação de conflito ou de enfrentamento de poderes. Para Testa 10 , estratégia é a maneira de se colocar em situação de aproximar-se a alcançar um objetivo. Se informação é poder, refletir e acumular informações faz da estratégia uma forma de distribuição de poder. Para Cordoni Jr 12 ,estratégia é entendida como uma ação ou conjunto de ações que se colocam no cenário buscando atingir determinado fim. Estratégia teria o fim de reduzir as incertezas, acumular forças e contornar os obstáculos, significa tornar viável certa meta. Para o autor, a estratégia está composta por táticas que tem o mesmo sentido de estratégia, porém em âmbito menor, enquanto a estratégia visa o grande objetivo, as táticas visam ganhar terreno, ação após ação, aproximando-se do grande objetivo. Para Matus apud  10 , estratégia é entendida como uma análise e como um propósito para o futuro. E é na análise do necessário conflito que se diferenciam as várias proposições de planejamento. Matus 11 atribui tal importância ao planejamento que afirma não estar
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks