O sentido de uma ilusão: Ayer, Austin e o papel do “Argumento da Ilusão”

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  O sentido de uma ilusão: Ayer, Austin e o papel do “Argumento da Ilusão”. [Rascunho do texto que serviu de base para a apresentação no   VIII Seminário dos  Estudantes de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar  . Essa versão não é destinada à  publicação, portanto não citar ou fazer refências sem consulta anteriorente ao autor] Cristiano Junta 1  Resumo:  O objetivo desse estudo é avaliar a importância filosófica da posição de J. L. Austin em seu livro Sense and Sensibilia, em especial, como importante crítica às concepções dualistas em filosofia da percepção. O fio condutor de nossa investigação é o debate entre Austin e Alfred J. Ayer sobre a teoria da informação-sensorial e o status do “Argumento da Ilusão”. Argüimos que a resposta de Ayer as críticas de A ustin desfiguram a posição deste sobre o tema. Defendemos que o centro da crítica de Austin não reside em uma tentativa de refutar a teoria da informação-sensorial, como defende Ayer. De outra maneira, pretende-se revelar e criticar a natureza dualista da  problemática filosófica que dá ensejo ao uso particular que Ayer faz do “Argumento da Ilusão”. Argumentamos que, para Austin, o ponto central não reside em saber se essas discussões são capazes de justificar o emprego de uma terminologia capaz de dar referência apropriada a um aspecto meramente sensório dos objetos da experiência  perceptiva (distinguível de alguma maneira de suas propriedades físicas). Tal distinção é fundamental para a instauração da dicotomia entre objeto material/informação-sensorial. O problema consiste, de maneira completamente diversa, na observação de que o emprego do vocabulário da teoria da informação-sensorial guia a investigação filosófica sobre a natureza da percepção a partir de uma imagem sistematicamente enganadora.  Nossa exposição compõe-se das seguintes partes: (I) expomos a posição Ayer sobre o tema tal como ela aparece em seu “The Foundations of Empirical Knowledge”; (II) revisamos a crítica de Austin em “Sense and Sensibilia”; (III) contrapomos a resposta de Ayer em “Has A ustin Refuted the sense- datum Theory?” com algumas características típicas da posição filosófica de Austin, em especial, sua rejeição a dicotomia objetos materiais/ informações sensoriais e realismo/anti-realismo; (IV) por fim, relacionamos a posição de Austin com a crítica ao representacionalismo em filosofia da percepção desenvolvido por Charles Travis em “The Silence of Sense”. Palavras-chave:  Filosofia da Percepção, Teoria da Informação-Sensorial, J. L. Austin. Introdução  Nosso objetivo nesse estudo é compreender o impacto da discussão de John Austin em Sense and Sensibilia sobre certas discussões no terreno da filosofia da  percepção. Nosso interesse nesse tema específico poderia ser enunciado como, 1  UFRGS  –  Doutorando, e-mail: cristiano.junta@gmail.com  apropriando-nos de uma expressão de Stanley Cavell em outro contexto, de que temos a sensação de que a filosofia de Austin ainda espera por ser recebida. 2  Dessa maneira, reivindicamos que há uma intrínseca dificuldade em estabelecer as posições e as conseqüências das discussões de Austin, advindas em especial das características típicas de seu estilo filosófico. Assim, poderíamos apresentar esse pequeno texto como uma investigação preliminar que visa contribuir, a partir de uma discussão tópica, para a constituição de uma visão panorâmica da postura filosófica de Austin. Colocando sob nossa visão a problemática particular ao qual se interessava as séries de leitura que conhecemos hoje através do livro Sense and Sensibilia , a crítica do que ficou notoriamente conhecido como teoria da informação-sensorial (sense-date theory), pode-se ler já nas páginas iniciais do livro os propósitos declarados do autor (Austin, 1964, p.3): My general opinion about this doctrine [da informação-sensorial] is that it is a typically scholastic view, attributable, first, to an obsession with a few particular words, the uses of which are over-simplified, not really understood or carefully studied or correctly described; and second, to an obsession with a few (and nearly always the same) half-studied 'facts'. (I say 'scholastic', but I might just as well have said 'philosophical'; over-simplification, schematization, and constant obsessive repetition of the same small range of jejune 'examples' are not only not peculiar to this case, but far too common to be dismissed as an occasional weakness of philosophers.) The fact is, as I shall try to make clear, that our ordinary words are much subtler in their uses, and mark many more distinctions, than philosophers have realized; and that the facts of perception, as discovered by, for instance,  psychologists but also as noted by common mortals, are much more diverse and complicated than has been allowed for. It is essential, here as elsewhere, to abandon old habits of Gleichschaltung  , the deeply ingrained worship of tidy-looking dichotomies.  Nosso esforço consistirá basicamente de fazer-se mostrar a ligação intima que entre esse trecho e entre a crítica de Austin ao emprego dicotômico entre informação-sensorial e objetos materiais na teoria de Ayer sobre a percepção e a critica geral de Aust in contra essa “fraqueza dos filósofos” de simplificar excessivamente, esquematizar e da “repetição obsessiva” de uma série de exemplos. Argumentaremos que, para Austin, o ponto central não reside em saber se essas discussões são capazes de justificar o emprego de uma terminologia capaz de dar referência apropriada a um aspecto meramente sensório dos objetos da experiência perceptiva (distinguível de alguma 2  Cavell, 1976, pp 44-72.  maneira de suas propriedades físicas). Tal distinção é fundamental para a instauração da dicotomia entre objeto material/informação-sensorial. O problema consiste, de maneira completamente diversa, na observação de que o emprego do vocabulário da teoria da informação-sensorial guia a investigação filosófica sobre a natureza da percepção a  partir de uma imagem sistematicamente enganadora. Nossa exposição compõe-se das seguintes partes: (I) expomos a posição Ayer sobre o tema tal como ela aparece em seu The Foundations of Empirical Knowledge ; (II) revisamos a crítica de Austin em Sense and Sensibilia ; (III) contrapomos a resposta de Ayer em “Has Austin Refuted the sense - datum Theory?” com algumas características típicas da posição filosófica de Austin, em especial, sua rejeição a dicotomia objetos materiais/ informações sensoriais e realismo/anti-realismo; (IV) por fim, relacionamos a posição de Austin com a crítica ao representacionalismo em filosofia da percepção desenvolvido por Charles Travis em “The Silence of Sense”. Parte 1: A teoria da informação-sensorial em The Foudations of Empirical Knowledge  . Creio que sera util aos nossos interlocutores expor algumas observações gerais sobre a “teoria da informação - sensorial”. Em primeiro, lugar notar o caráter um tanto indiosincrático de usar aqui a palavra “teoria”. Assim é, se consideramos dois fatos. Por um lado, há uma grande varidade de posições filosóficas, com características muito distintas, que se agrupam sob essa denominação. Certos autores consideram que o termo informação-sensorial (sense date) tenha sido introduzido nos debates em filosofia da  percepção, com a função mais ou menos típica que ela venho a desempenhar (na constituição de uma distinção dicotômica entre objetos materiais e dados sensoriais) por Bertrand Russel em 1912 em seu The Problems of Philosophy . De fato, as características básicas da posição de Ayer pode serem vista como desenvolvimentos dessa discussão. De outro modo, outro eminente defensor do emprego dessa expressão, George Moore apresenta importantes problemáticas às posições de Russell e claramente afasta-se de algumas de suas conceposições. Sobre o contexto particular de nossa discussão hoje, a posição de Ayer em The  Foudantion , podemos considerar que a introdução da expressão “informação - sensorial” visaria capacitar, na discussão filosófica, um refinamento terminológico capaz de  descrever com mais precisão os fatos da nossa experiência perceptiva em oposição ao modo “ordinário” de expressá -las, pode ser (Ayer, 1963, p.20).  Nesse contexto podemos observar a primeira distinção relevante a ser considerada no argumento de Ayer em favor da terminologia da informação-sensorial. Ela seria designada para distingui-se do modo ordinário de expressão, definido vagamente como se “nós percebemos diretamente objetos materiais”. Portanto, é um aspecto importante a determinação de uma opo sição entre o modo “filosófico” de se referir    as experiências perceptivas e o modo “ordinário” de fazê -lo. A defesa da “conveniência” dessa expressão em filosofia é feita, como notoriamente se notou sob a  base do “argumento da ilusão”. Que se constitui, mu i simplesmente, de enunciação de exemplos de ilusão perceptiva. Uma vez introduzida essa questão Ayer passa a argumentar em favor de um uso generalizado do termo para a descrição de todos as experiências perceptivas sob a argumentação que, do ponto de vista do sujeito que esta a ter tal ou qual experiência perceptiva não é possível determinar uma distinção entre uma  percepção verídica de uma falsa (ilusão) pois, não há distinção qualitativas entre esses dois tipos de experiência (Ayer, 1963, p.24-5). Assim sendo, a conclusão da discussão sobre a necessidade filosófica da introdução da terminologia, portanto, técnica da informação sensorial justifica-se faze o  problema filosófico para o qual ela é designada. Se, por um lado, ela não fundamenta-se numa espécie de deficiência da linguagem ordinária (Ayer, 1963, p.25), por outro, ela constituir-se-ia em um instrumento útil na discussão sobre a natureza da experiência  perceptiva (Ayer, 1963, p.26).  Nesse respeito o ganho específico seria que “it is useful for us to have a terminology that enables us to refer to the contents o four experiences independently of the material things that they are taken to present.” ( idem ). Por fim, antes de abandonarmos essa pequena exposição sobre a relação do argumenta da ilusão e a introdução da terminologia da informação-sensorial, resta-nos considerar a acuidade com que Ayer apresenta a questão de saber se essa é uma boa ou má ferramenta investigativa na filosofia resta apenas na consideração da sua utilidade  para dissipar confusões verbais e não em nenhuma espécie de consideração sobre questões de fato. (Ayer, 1963, p.28). Parte 2: Crítica de Austin em Sense and Sensibilia      Desde a introdução, caracterizamos como uma tarefa difícil a caracterização do que consiste a posição filosófica de Austin, sobre o tema. De certa maneira, isso deve-se, afirmamos não só as particularidades do trabalho filosófico de Austin, porém também no aspecto surpreendem da discussão de Sense and Sensibilia . O que surpreende no texto é o fato de a partir de várias discussões, aparentemente pontuais, concluir-se com uma critica de grande envergadura e amplo espectro a uma postura filosófica da qual Ayer é caracterizado como o exemplo em tela no livro. Deixaremos  para a ultima parte desse texto a discussão sobre o que consistiria essa critica, digamos, de fundo que permeia Sense and Sensibilia . Por ora, dedicaremo-nos a revisitar alguns aspecto da critica de Austin, em particular a distinção entre objetos materiais e dados sensoriais (ou informações-sensórias). Em primeiro lugar, consideremos, a vacuidade do suposto problema da consideração de Ayer de que haveria uma posição simples entre a posição filosófica da teoria dos dados sensoriais que distingue entre “objetos materiais” e “dados dos sentidos” e o qu e, supostamente seria o pensamento ordinário, que determinaria que o que percebemos diretamente  são objetos materiais. Austin considera, primeiramente, que a própria expressão “objetos materiais” não é uma expressão ordinária, (Austin, 1964, p.7). Haverá uma diversidade de casos ordinários em que não consideraríamos de nenhuma maneira correto dizer que o que é percebido seja algo classificável em qualquer definição coerente de “objetos materiais”, (Austin, 1964, p.8): We may think, for instance, of people, people's voices, rivers, mountains, flames, rainbows, shadows, pictures on the screen at the cinema, pictures in books or hung on walls, vapours, gases-all of which people say that they see or (in some cases) hear or smell, i.e. 'perceive'. Are these all 'material things' ? If not, exactly which are not, and exactly why? No answer is vouchsafed. A linha de ataque de Austin nesse contexto concentra-se sob a artificialidade,  por assim dizer, própria do par de expressões “objeto material” e “dados sensoriais”. Se observamos que não podemos encontrar nenhum emprego ordinária para a expressão “objetos materiais” , pois, não poderia ter ocorrido jamais a ninguém “try to represent as some single kind of things the things which the ordinary man says that he „perceives‟” (  idem ). Logo, Austin conclui que “ The trouble is that the expression 'material thing' is functioning already, from the very beginning, simply as a foil for 'sense- datum' […]”.
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