Fenômenos Curativos Winnicott

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  Conferência 1 - “Viver Criativo e Fenômenos Curativos 1 ” José Outeiral e Michele Melo Reghelin  “Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parado. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-ris da cartola. E refa!o. "olo. #into e bordo. #orque a for!a de dentro é maior. $aior que todo mal que e%iste no mundo. $aior que todos os ventos contrários. & maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim. O destino da felicidade, me foi tra!ado no ber!o'. Caio Fernan!o "#reu$innicott ressaltou a im%ort&ncia !e estu!ar a %er!a !o ingresso criativo na vi!a !i'en!o (ue !evemos “considerar a impossibilidade de uma destrui!ão completa da capacidade de um indivduo humano para o viver criativo, pois, mesmo no caso mais e%tremo de submissão, e no estabelecimento de uma falsa  personalidade, oculta em al(uma parte, e%iste uma vida secreta satisfat)ria, pela sua qualidade criativa' $innicott) 1*+,#) % **. "ssim) ele tam#ém !i'ia (ue o (ue #usc/ssemos tirar !ele) haver0amos !e tirar !o caos) o (ue acontece com o seu conceito  *ealin( #henomena ) Fenômenos Curativos.) (ue mesmo imerso em sua o#ra) cremos a%arecer somente uma ve') (uan!o escreve o teto  +spectos clnicos e metapsicol)(icos da re(ressão no settin( analtico 1*,2.3 “... a psicose tem um vnculo estreito com a sade, pelo qual um (rande nmero de falhas ambientais con(elados pode ser recuperado e descon(elado pelos muitos fenmenos curativos da vida cotidiana, tais como as amiades, os cuidados recebidos durante, uma doen!a fsica, a poesia etc.'  %451.Os fenômenos curativos s6o um con7unto !e e%eriências !a vi!a coti!iana res%ons/veis %ela recu%era86o !o su7eito !e forma es%ont&nea e (ue nos levam ao conceito !e e(ua86o etiol9gica !e Freu! 1*1:.) on!e é %ostula!o (ue a %ersonali!a!e é resulta!o !a constitui86o) vivências infantis além !a situa86o atual Mannoni 1*+5. comenta os fenômenos curativos como uma fun86o %r9ima a cicatri'a86o natural !o in!iv0!uo) to heal  ) !iferentemente !e  to cure ) fa'en!o %ensar (ue eles se ligam aos conceitos !e $innicott !e viver criativo e o conceito !e in!iv0!uo "!am ;illi%s <==,. nos a7u!a a enten!er o conceito !e sani!a!e ao comentar (ue a %alavra inglesa  sane  - !eriva!a !o latim  sanus  e !o francês  sain ) e (ue come8a a ser utili'a!a no século >V??) em  *amlet   @haAes%eare 1*+5. utili'ou a%enas uma ve' a %alavra “s6o” /sane0  na %e8a) en(uanto usou mais !e !u'entas 1  OBD?R"E) JO  REGHELIN, M. M.   Viver Criativo e Fenômenos Curativos Ra#isco Revista !e ;sican/lise) v =<) % 14<-14:) <=1< G"%resenta!o no V? Dncontro Hrasileiro so#re o %ensamento !e I $ $innicott  ;inhaisK;R -<4=*<=11  ve'es louco /mad0  e 4, ve'es loucura /madness0  Dle intro!u'iu critérios !e mo!erni!a!e %ara a com%reens6o !os esta!os mentais) como eem%lo) colocan!o o %e!i!o !e ;olônio a Lamlet !e (ue “ até na loucura é necessário haver um método' -  ou se é s6o ou se é louco ;ara Freu! o in!iv0!uo s6o se caracteri'a %or ser a(uele ca%a' !e amar e tra#alhar) ao (ue $innicott acrescenta (ue tam#ém é a(uele ca%a' !e viver criativamente   Iessa forma) em O indivduo são  1*5:.) $innicott !escreve sua conce%86o !e in!iv0!uo nos con!u'in!o ao !esenvolvimento emocional %rimitivo) através !o am#iente facilita!or m6e suficientemente #oa. Dle %ensa em três /reas !a vi!a3 a vi!a !o mun!o com as rela8Nes inter%essoais) a vi!a interior e a /rea !o viver criativo ;ortanto) o ser e o s6o !e%en!em !e v/rios fatores como tem%o) es%a8o e %rocesso maturacional !o in!iv0!uo Mas on!e se locali'a a /rea !o viver criativo P6o fa' %arte !a reali!a!e interna nem !a reali!a!e eterna) é uma /rea !e mutuali!a!e) resultan!o !a e%eriência m6e-#e#ê"o longo !este /timo !e tem%o na vi!a !o universo) o  *omo sapiens  #uscou !ar conta !e seu sofrimento através !e sua ca%aci!a!e) maior ou menor) !e esta#elecer um viver criativo !e um %reci%ita!o !e heran8a /nature0  e !e cui!a!o /nurture0 ) !este %otencial %ara o !esenvolvimento f0sico e %s0(uico (ue $innicott !enominou 1rue Self /ano0  ;ara con!u'ir a vi!a) %ara viver em socie!a!e) %ara ter algum controle so#re a vi!a instintiva Q necess/rio) entretanto) através !a cis6o) criar um Falso @ elf  ) !e um  self a!a%tativo como %referia Masu! hanDste ver!a!eiro self %rotegi!o %elo falso  self   contém um %reci%ita!o !e e%eriências %ositivas e um  %otencial %ara fa'er frente Ss e%eriências traum/ticas Como escreveu $innicott %o!er6o ser ami'a!es) e%eriências !e cui!a!o !urante uma !oen8a) %oesia D a estes eem%los %o!er0amos enunciar to!a uma  %lêia!e !e e%eriências culturais como a religi6o) as artes e tantas outras mo!ali!a!es Possas mem9rias liga!as S re%resenta86o %alavra s6o feitas !e re%resenta8Nes) figura#ili!a!e e sim#olismo) %o!en!o ser evoca!as através !e o%era8Nes !o consciente %rocesso secun!/rio. ou !o inconsciente %rocesso %rim/rio.) as (uais %o!em ser mem9rias enco#ri!oras P6o ser6o eatamente factuais) mas como foram a%reen!i!as %elo a%arelho %s0(uico) #em como arma'ena!as e lem#ra!as "in!a) eistem as mem9rias !escritas %or $innicott como "atalo(a!2es ) oriun!as !e contatos sensoriais significativos (ue (uan!o %ositivos) constituem a rai' !o viver criativo e%resso %elo gesto es%ont&neo Iessa forma) frente a eventos traum/ticos os fenômenos curativos s6o coloca!os em movimento na ra'6o !ireta !a eistência !o in!iv0!uo) no in!iv0!uo s6o em %articular e na eistência !o viver criativo ;ermita-se ent6o) ilustrar o tema a#or!a!o) taravés !a an/lise !e uma hist9ria liter/ria) na (ual foram tra#alha!os os conceitos liga!os aos fenômenos curativos e o viver criativo O livro O 3ardim secreto de  4rances *od(son 5urnett 1**4.) narra a hist9ria !e !ois %rimos (ue cresceram conviven!o com a ausência  !as fun8Nes %arentais MarT crescera na Un!ia) com %ais (ue n6o se im%ortavam com ela) e (ue aca#aram falecen!o) ocasionan!o a vin!a !ela a casa !o seu %rimo Dla tornara-se uma menina amarga) feia e triste) 7/ (ue “o rosto reflete o que há para ser visto'  $innicott) 1*:+#) %1:1. @eu %rimo Collin) 9rf6o !e m6e e re7eita!o %elo %ai) foi con!ena!o a ficar isola!o em um (uarto acusa!o !e ser %orta!or !e uma !oen8a contagiosa e mortal Mas a chega!a !a menina a casa lhes !evolve a vi!a) na me!i!a em (ue) na falta !e  #rin(ue!os) a sua curiosi!a!e e sua &nsia %or viver) a fa' encontrar um 7ar!im) secreto) a#rigo !e uma hist9ria !e amor !o %assa!o) colocan!o assim) sua imagina86o em marcha    Peste 7ar!im) (ue a%arentemente estava morto) as crian8as fa#ricam a #rinca!eira e encontram uma forma !e su%erar suas carências e ela#orar seus lutos   @ementes s6o %lanta!as "través !a #rinca!eira) encenam com seu cor%o e o#7etos %referi!os) as tramas (ue est6o imaginan!o) transforman!o e%eriências eteriores em efeitos interiores “#ara controlar o que está fora, há de faer coisas, não simplesmente pensar ou dese3ar...' $innicott) 1*+,a) %:4. Iessa forma) o #rincar resi!e em um es%a8o entre o fora e o !entroal 7ar!im na!a mais é !o (ue uma alus6o ao es%a8o interno !e ca!a um !e n9s) on!e é %reciso se constituir) semear) %ara ent6o florescer "ssim) !evi!o S ausência !os %ais) foi necess/rio criar re%resenta8Nes internas !as figuras %arentais %ara %o!erem seguir em frente) %ois “é através da apercep!ão criativa, mais do que qualquer outra coisa, que o indivduo sente que a vida é di(na de ser vivida' $innicott) 1*+,c. "lém !isso)   a ausência !as m6es %ossi#ilitou (ue #uscassem terrenos e elementos imagin/rios (ue eercessem cui!a!os   rata-se) %ortanto ! e “uma hist)ria possvel tendo em vista que podemos despertar para a vida apenas com farrapos de amor maternos coletados por n)s mesmos Corso) <=11) %<1*.”"in!a) !evemos lem#rar (ue am#as as crian8as tiveram um o#7eto significativo em suas vi!as3 os em%rega!os MarT tinha uma cria!a (ue lhe fornecia as hist9rias (ue a m6e n6o %o!e lhe contar) inserin!o-a numa tra!i86o cultural e am%lian!o seus hori'ontes) %ro%ician!o assim (ue encontrasse !iferentes significa!os "final) (uan!o se aceita a tra!i86o e isso interage com a srcinali!a!e) %o!e-se inventar D  “se tivermos um lu(ar para (uardar o que encontramos' $innicott) 1*:+a) %145.) a%esar !os traumas (ue a vi!a im%or) haver/ no in!iv0!uo as%ectos !a %ersonali!a!e (ue %o!er6o %romover a confian8a em si mesmo e no futuro   Iesta maneira) é %oss0vel tecer con7eturas !e (ue %ara su%lantar o sofrimento) o in!iv0!uo %recisa regre!ir a eta%as anteriores !o !esenvolvimento em #usca !o am%aro (ue um !ia teve Reghelin) <=11. Pesse senti!o) $innicott 1*,2. %ro%Ne (ue eistam !ois ti%os !e regress6o no !esenvolvimento instintivo3 uma (ue retroce!e %ara uma situa86o anterior !e falha e outra %ara uma situa86o #em suce!i!a Pas situa8Nes !e falha) as !efesas !o in!iv0!uo %recisam ser reorgani'a!as en(uanto (ue nas situa8Nes !e êito h/ uma mem9ria !e !e%en!ência) in!ican!o (ue %rovavelmente !eve ter eisti!o um am#iente suficientemente #om (ue   %ro%iciasse tal lem#ran8a na vi!a a!ulta ?m%orta sa#er se houve em algum momento) um am#iente acolhe!or) (ue se a!e(uasse Ss necessi!a!es !o i! e !o ego !o su7eito $innicott) 1*,2.) crian!o uma o%ortuni!a!e !e reali'ar uma a!a%ta86o frente S situa86o traum/tica) !escongelan!o o (ue foi congela!o  Po  settin( anal0tico) “a re(ressão alcan!a e fornece um ponto de partida, o que eu chamaria de um lu(ar de onde é possvel operar. O eu é encontrado. O su3eito entra em contato com os processos básicos do eu que faem parte do desenvolvimento verdadeiro, e o que acontece daqui em diante é sentido como real' $innicott) 1*,2 %455. Dntretanto) %ara (ue tal regress6o se7a %oss0vel) é %reciso confiar no analista) este (ue %or ser humano e fal0vel) %o!e !ece%cionar $innicott) 1**=. ;orém) como !i' Car%ine7ar “s orte de quem ainda pode se decepcionar. Si(nifica que ainda tem esperan!a'. O resulta!o é uma continui!a!e !a eistência) (ue se transforma num senso !e eistir) senso !e self e autonomia $innicott) 1***. "ssim como o #e#ê cria o mun!o) a reali!a!e através !a ilus6o) o %aciente cria o tera%euta) a sua rela86o com ele "través !a transferência) re%ete o narcisismo %rim/rio) !escongelan!o a falha srcinal) !an!o in0cio ao eu ver!a!eiro) ca%a' !e enfrentar o am#iente sem a organi'a86o !as !efesas (ue formam um falso  self   D se o analista se !eiar ferir e o!iar) sem retaliar) se for ca%a' !e so#reviver)  %ossi#ilitar/ transformar o trauma em hist9ria) criando  novos significa!os) !an!o um senti!o S reali!a!e !e !esam%aro e %ossi#ilitan!o a continui!a!e !o eistir $innicott) 1*2+.   @en!o assim %ara (ue algum tra#alho %ossa ser reali'a!o) “ é preciso que ha3a no analista uma cren!a na naturea humana e nos processos de desenvolvimento'  $innicott) 1*,2) %4*=.) %ermitin!o o outro  ser como pode ser  ) %ois como !i' o %oeta3 “ela dan!a com a msica de dentro' Car%ine7ar) <==,. Referências Car%ine7ar) F <==,. "omo no céu  Hertran! Hrasil Corso) IE <=11.  + psicanálise na terra do nunca6  ensaios so#re a fantasia ;orto "legre3 ;ensoHurnett) FL 1**4. O 3ardim secreto.  Rio !e Janeiro3 D!itora 42 Mannoni) O 1*+5. Ea %arte !el 7uego Dm I $innicott) O Mannoni) J H ;ontalis T otros Orgs.  7onald 8innicott   %%,*-::. D!itorial rie#3 Huenos "ires;hilli%s) " <==,. 9oin( sane.  ;enguin HooAs3 Eon!on Reghelin) M M <=11. Fenômenos curativos e as situa8Nes traum/ticas  :abisco :evista de #sicanálise, ;/<0, =>-?@.  @haAes%eare) $ 1*+5.  *amlet.  Eon!res3 D! Harrons$innicott) I$ 1*+,a. O #rincar3 uma e%osi86o te9rica Dm I $ $innicott)  O brincar e a realidade %% ,*-+5. .  Rio !e Janeiro3 ?mago D!itora EI" $innicott) I$ 1*+,#. " criativi!a!e e suas srcens Dm I $ $innicott)  O brincar e a realidade %% *,-1<=. .  Rio !e Janeiro3 ?mago D!itora EI" Gcita86o srcinal %o!e ser encontra!a no artigo Ea  @chi'o%hrénie infatile em termes !Wechech !Wa!a%tation Dm Recherches %u#lica86o es%ecial3 Dnfance aliennée) ??) !e'em#ro) ;aris.$innicott) I$ 1*+,. " locali'a86o !a e%eriência cultural Dm I $ $innicott)  O brincar e a realidade %% 144-122. .  Rio !e Janeiro3 ?mago O#ra srcinal %u#lica!a em 1*:+a.$innicott) I$ 1*+,. O %a%el !o es%elho !a m6e e !a fam0lia no !esenvolvimento infantil Dm I $ $innicott)  O brincar e a realidade %% 1,4-1:<. .  Rio !e Janeiro3 ?mago D!itora EI" O#ra srcinal  %u#lica!a em 1*:+#.$innicott) I$ 1*5:.he conce%t o f a healthT in!ivi!ual Dm I $ $innicott)  *ome is Ahere Ae start  from6 E    ssaTs #T a ;sTchoanalTst  PeX YorA) $ $ Porton$innicott) I $ 1**=.  Baturea *umana.  Rio !e Janeiro3 ?mago$innicott) I$ <===. O 9!io na contratransferência Dm I $ $innicott)  7a pediatria C psicanálise.  %% <++-<5+. .  Rio !e Janeiro3 ?mago O#ra srcinal %u#lica!a em 1*2+. $innicott) I$ <===. "s%ectos Cl0nicos e meta%sicol9gicos !a regress6o no setting anal0tico Dm I $ $innicott)  7a pediatria C psicanálise.  %% 4+2-4*<. .  Rio !e Janeiro3 ?mago O#ra srcinal %u#lica!a em 1*,2.
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