Condições Sociais Para a Formação Do Conhecimento: Como Compreender O “Fa Zer Científico”: Considerações Sobre a Posição Epistemológica De Pierre Bourdieu e Jürgen Habermas

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  9 SOCIAIS E HUMANAS, SANTA MARIA, v. 27, n. 01, jan/abr 2014, p. 9 - 20 CONDIÇÕES SOCIAIS PARA A FORMAÇÃO DO CONHECIMENTO: COMO COMPREENDER O “FAZER CIENTÍFICO”: CONSIDERAÇÕES SOBRE A POSIÇÃO EPISTEMOLÓGICA DE PIERRE BOURDIEU E JÜRGEN HABERMAS THE KNOWLEDGE SOCIAL CONDICTTIONS: UNDERSTANDING THE EPISTEMIC THINKING IN PIERRE  BOURDIEU AND JÜRGEN HABERMAS  D ANIELA  D IAS  K  UHN 1 Recebido em: 11/11/2011Aprovado em: 12/07/2013 RESUMO O presente trabalho discute “o fazer cientíco” da Sociologia, indicando algumas modicações im -  portantes na forma de construção do conhecimen - to. Nesse sentido, são apresentadas percepções de dois pesquisadores, Bourdieu e Habermas, os quais, partindo de bases epistemológicas diferen-tes, indicam que é preciso desacomodar os pes- quisadores sociais da sua posição supostamente neutra em relação à produção do conhecimento. Dessa forma, ambos os pensadores são apresenta -dos e, em seguida, confrontados em seu modo de fazer Ciência. Por vias, algumas vezes distintas, os autores concordam que um dos principais as-  pectos a ser denitivamente superado é a ideia de que o cientista social é independente do seu objeto de pesquisa; é, antes, constituído por ele, de uma forma ou de outra. Palavras-chave:  Construção do conhecimento; Bourdieu; Habermas. ABSTRACT This paper discusses the sociology “doing  science”. It indicates some important chang-es in the construction knowledge. This way, we present the perceptions of Bourdieu and  Habermas. These scientists, starting from different epistemological bases, indicate us how it is necessary to take social researchers this supposedly neutral position (about the  production of knowledge). Thus, both think-ers are presented and confronted in his way of doing science. With distinct ways, the au-thors agree in main aspect to be overcome: the idea that the social scientist is separated  from the object of his search. Unlike, the so-cial scientist is formed by them. Keywords:  Knowledge construction;  Bourdieu; Habermas. 1  Doutora em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil. Professora adjunta do Departamento de Econo-mia da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: daniela.kuhn@ufrgs.br.  “Chegamos a saber que todo o indivíduo vive, de uma geração até a seguinte, numa determinada sociedade; que vive uma bio-  graa e que vive dentro de uma sequência histórica. E pelo fato de viver, contribuir,  por menos que seja, para o condicionamento dessa sociedade e para o curso de sua his-tória, ao mesmo tempo é condicionado pela  sociedade e pelo seu processo histórico”.(C. Wright Mills em “A Imaginação Socio-lógica”)  10 SOCIAIS E HUMANAS, SANTA MARIA, v. 27, n. 01, jan/abr 2014, p. 9 - 20DANIELA DIAS KUHN 1 Introdução A discussão principal de que par  -tem todos os grandes sociólogos do sé-culo XX, e que continua no século XXI, decorre da necessidade de tomada de uma posição em relação à articulação entre Estrutura e Ação. Isso signica di - zer que está em discussão até que ponto o agente social - o indivíduo formador da sociedade - é capaz de articular seus interesses em relação às ações sociais ou em que medida esse agente é de-terminado pelas estruturas sociais que  permeiam todas as tomadas de decisão ao longo da vida. É superada já a ideia de que as condições sociais dependem exclusivamente ou das ações dos agen - tes ou da conformação das estruturas que submete os agentes a determinados comportamentos.A possibilidade de compreen- são da Sociedade a partir da interação entre Estrutura/Ação permite perceber os mais diversos aspectos sociais que constantemente interagem entre si. En-tre eles, como ocorre e como é possível a formação do conhecimento identica - do com o adjetivo “cientíco”? O que signica “fazer Ciência” sob o ponto de vista dos sociólogos interessados em compreender as relações que consti - tuem o mundo social?Em reação ao positivismo lógico e ao funcionalismo, a sociologia con-temporânea procurou aspectos capazes de conformar uma nova losoa da Ciência, baseada, em um certo senti- do, na reconstrução da história da ciên - cia ou no “renascer” de uma dimensão hermenêutica do conhecimento. Este novo programa de investigação tentou identicar o papel ativo do investigador (de não meramente “observador impar  - cial”) na produção cientíca. Após um período histórico em que Religião e Ciência estiveram for  - temente entrelaçadas, a sociedade parte em busca de uma separação denitiva entre esses aspectos. Esse processo his-tórico constitui-se a partir de uma série de princípios, que passaram a concei- tuar a noção de Ciência na Modernida -de, dentre os quais é possível destacar a necessidade da “neutralidade” cientí- ca. Dessa maneira, a busca pela “ver  -dade” em si. seria um processo, uma explicação que, a partir da utilização de um método (identicado, a partir daí, como método cientíco), seria capaz de apresentar a realidade como a partir de um conjunto de premissas associadas a determinado experimento. A busca pelo  processo de construção de “uma verda -de”, constitui em si mesma um ato po-lítico de vontade. Esse processo, repro-duzido amplamente, até pouco tempo atrás, de forma homogênea (e ressalte-se, seguido até hoje por um grupo, cada vez menor, de cientistas), levou à neces -sidade de separar o pesquisador de seu objeto. A partir de então, apenas os fatos reproduzíveis poderiam ser chamados de Ciência. Esse padrão de geração de conhecimento, obviamente, como coti-dianamente é possível perceber, levou a um crescimento econômico importante em todo o planeta e a uma organização  política que acentua as desigualdades sociais.É interessante observar que essa forma “neutra” de fazer Ciência surge em um momento em que o processo de criação e explicação do mundo estava, em alguma medida, obscurecido por comportamentos religiosos que mono- polizavam o conhecimento gerado. Sen-do assim, o positivismo cumpre com a função de rompimento entre Ciência e Religião, mas, nessa busca por neutra - lidade, não é capaz de explicar fenôme -nos sociais, demasiadamente comple- xos para submeterem-se a explicações “neutras” e “segmentadas”. Na medida em que há um esgota-mento das possibilidades de leituras do mundo, a partir da utilização do método cientíco (em que a máxima pode ser traduzida como “o todo é representado  pela soma das partes”), uma série de cientistas, das mais diferentes áreas,  passa a questionar essa noção de neu -  11 SOCIAIS E HUMANAS, SANTA MARIA, v. 27, n. 01, jan/abr 2014, p. 9 - 20CONDIÇÕES SOCIAIS PARA A FORMAÇÃO DO CONHECIMENTO: COMO COMPREENDER O “FAZER CIENTÍFICO”: CONSIDERAÇÕES SOBRE A POSIÇÃO EPISTEMOLÓGICA DE PIERRE BOURDIEU E JÜRGEN HABERMAS tralidade, que durante muito tempo nor- teou o fazer cientíco. Entre os críticos do positivismo, que abrangem diversas percepções em relação à constituição social da Ciência, encontram-se Pierre Bourdieu e Jürgen Habermas. Nesse sentido, o objetivo deste breve trabalho é identicar, nos  posicionamentos desses dois sociólo-gos contemporâneos, aspectos funda- mentais para a constituição de um fazer cientíco consciente em relação às suas limitações e possibilidades. Bourdieu sugere uma ruptura da Ciência com os fenômenos naturaliza- dos a partir das relações cotidianas e  procura identicar o processo de pos - sibilidade de reexividade da ciência na determinação do “fazer cientíco”. O sociólogo francês, na tentativa de compreender a formação do “campo” e do habitus  do cientista – que reete a lógica de atuação estratégica do ser so -cial dedicado ao exercício escolástico –, localiza-se em um lugar de enunciação externo ao objeto de análise. Ainda que muitos críticos possam reconhecer nele um “olhar quase que divino/profeta”, não se pode negar que a concepção teó -rica desenvolvida por Bourdieu permite a identicação de diversos aspectos la - tentes que, a outros “olhares”, cariam sem questionamentos e naturalizados na prática do saber cientíco. A mesma tentativa de “desmas- caramento” do cienticismo é feita  por Habermas, porém, a partir de uma  perspectiva interna da prática cientíca,  procurando identicar o cientista como um ser social que faz ciência e percebe o mundo estando mergulhado nas tradi- ções do próprio contexto social. A pro -  posta do autor para a compreensão do  processo de produção do conhecimento está baseada em um procedimento her- menêutico de reconstruções lógicas e empíricas em relação ao que pode ser identicado como Ciência.Partindo dessa rápida introdução, este trabalho apresenta-se divido em três seções, além da introdução e das considerações nais. A primeira seção apresenta a percepção de Bourdieu em relação à formação do conhecimento. Em seguida, são apresentadas algumas considerações, no mesmo sentido, de acordo com a teoria sugerida por Ha-  bermas. Na terceira seção é realizado o esforço de identicar os aspectos em relação aos quais os autores divergem e aqueles pontos em que é possível identicar a coexistência entre as duas formas de concepção quanto ao “fazer cientíco”, ao analista social e ao objeto de estudo. Certamente, não há porque ima -ginar que um breve trabalho como este  poderia exaurir a discussão sobre a formação do conhecimento e, menos ainda, sobre a possibilidade de debate entre esses dois importantes autores da sociologia contemporânea. Entretanto, o trabalho evidencia as estruturas dife- renciadas de pensamento em relação à formação daquilo que atualmente é re -conhecido de modo natural 2  como cam-  po cientíco. Sendo assim, espera-se que, com a ainda incipiente análise, seja  possível chamar atenção para a possibi -lidade de pensar a Ciência e evidenciar seus interesses com base em uma noção capaz de desnaturalizar a constituição do conhecimento cientíco, que ainda é adjetivada e defendida como “neutra”  por uma quantidade representativa de cientistas que, a partir desta confortável situação, fogem a uma profunda discus - são sobre a constituição de tudo o que é legitimado sob o adjetivo cientíco. 2 Bourdieu: a constituição histórica do conhecimento cientíco A maneira de pensar as relações sociais sugeridas por Bourdieu é, mui-tas vezes, confundida com a “vitória” da estrutura a que os indivíduos estão imersos no contexto social sobre as pos- sibilidades de ações autônomas desses mesmos indivíduos (ao tentar localizar 2  Apenas a título de exemplo, pode-se comentar brevemente a relação de gênero e a sequência de tempo (dia/Sol-masculino; noite/Lua-feminino).  12 SOCIAIS E HUMANAS, SANTA MARIA, v. 27, n. 01, jan/abr 2014, p. 9 - 20DANIELA DIAS KUHN as posições em relação à suposta dico - tomia entre Estrutura/Ação). Bourdieu colocou em pauta o reconhecimento do  papel das estruturas e a sua identicação (essencialmente pelo questionamento da neutralidade cientíca) para com -  preender como as relações sociais ocor  -rem a partir destas, em certa medida, determinadas e limitadas por condições estruturais naturalizadas cotidianamen-te 3 . O autor salienta que o limite do que é chamado de pensamento escolástico está intimamente relacionado às con - dições históricas que conformaram a emergência da própria possibilidade de existência desse pensamento enquanto espaço com autonomia para discutir de -terminados aspectos da realidade social. A vericação da construção dos aspectos naturalizados dentro de cada campo do conhecimento e o questiona- mento deste permitiriam a constatação do que realmente está em jogo. Sem o objetivo de modicar a realidade so -cial, e, sim, com o de compreender seus mecanismos estratégicos, o autor inse-riu conceitos abstratos (e que precisam ser questionados e construídos em cada caso de análise) como: habitus, doxa e campo . A partir desses conceitos, Bour- dieu explica o processo de formação e mudança dos ambientes de relações sociais que reetem certa hierarquia de  poder, que, ao m e ao cabo, submete aqueles que tem pouco capital (dos di-versos tipos caracterizados por Bour- dieu) aos que são capazes (por si sós ou devido à inserção em determinadas es -truturas – o que está correlacionado for- temente às trajetórias de vida dos atores sociais) de acumular capitais valoriza- dos socialmente. Na obra especíca de - dicada à análise do campo escolástico, Bourdieu indica claramente que é preci- so tentar fugir da ilusão de uma Ciência neutra e detentora da possibilidade de encontrar a verdade: Creio que, antes de tudo, convém re- etir tanto acerca dos limites do pen - 3  “Trata-se apenas de tentar determinar se (e em que) ela [condição social] afeta o pensamento que ela própria torna possível e, daí, a forma e o con-teúdo próprio do que pensamos” (BOURDIEU, 2001. P.61). samento e dos poderes do pensamen- to, como a respeito das condições de seu exercício que levam tantos pensa-dores a ultrapassar os limites de uma experiência social forçosamente par  - cial e local, geográca e socialmente, circunscrita a um pequeno cantão, sempre o mesmo universo social, e até intelectual, tal como demonstra a estreiteza das referências invocadas muitas vezes reduzidas a uma dis-ciplina e a uma tradição nacional  . A observação atenta do movimento do mundo deveria, no entanto insti-gar mais humildade, quando se sabe que os poderes intelectuais são tanto mais ecazes quando se exercem no sentido das tendências imanentes da ordem social, redobrando então, de maneira indiscutível, pela omissão ou  pelo compromisso, os efeitos da for-ça do mundo, as quais também se ex- pressam por seu intermédio  (BOUR-DIEU, 2001, p.11, grifo do autor). A questão principal da teoria “bourdiana” abrange a irracionalidade (no sentido de ausência de consciência) da ação dos indivíduos. Isso signica que os agentes sociais estão inseridos em uma racionalidade estrutural que não é questionada, que é aceita como “algo natural” pela sociedade em geral. Entre-tanto, o autor demonstra que em vários aspectos as categorias aceitas como “na- turais” são constituídas historicamente e naturalizadas a partir da valorização e da imposição de interesses especícos. Tal  posicionamento reete a necessidade de conscientização de que essas categorias são, na realidade e na maioria das vezes, ordenadas e constituídas contra aquilo que poderia ser a vontade dos indiví- duos, a percepção de cada um em relação ao que seria preferível. Partindo de uma relação estabe - lecida e delimitada pela constituição de um poder simbólico, ou seja, a consti- tuição de um poder invisível/estrutural que condiciona a ação dos indivíduos e só pode ser exercido a partir da cum- plicidade entre os   controlados.Bourdieu  procura determinar a constituição da  13 SOCIAIS E HUMANAS, SANTA MARIA, v. 27, n. 01, jan/abr 2014, p. 9 - 20CONDIÇÕES SOCIAIS PARA A FORMAÇÃO DO CONHECIMENTO: COMO COMPREENDER O “FAZER CIENTÍFICO”: CONSIDERAÇÕES SOBRE A POSIÇÃO EPISTEMOLÓGICA DE PIERRE BOURDIEU E JÜRGEN HABERMAS sua autonomia e o seu processo de le- gitimação também para o campo cien - tíco. Assim como os outros campos (artístico, religioso, político, econômi- co, por exemplo), o campo cientíco arma-se a partir de um m especíco que se congura com o objetivo de fa -zer sentido tanto interna como externa-mente ao campo.Para analisar o campo escolásti-co, Bourdieu utiliza seus conceitos de habitus  (a percepção da estrutura da ló - gica de ação especíca da escolástica) e de doxa  (a lei incontestada e própria desse campo, ou seja, o conjunto das crenças fundamentais que não tem se - quer necessidade de se armar sob a forma de um dogma explícito – aquilo que é naturalizado dentro do campo). A adesão à doxa  pressupõe o compartilha - mento dos interesses que estão em jogo, a que Bourdieu chama de illusio . A illu- sio  é “a crença fundamental no interesse do jogo e no valor dos móveis de com-  petição inerente a esse envolvimento” (BOURDIEU, 2001, p. 21). A lógica especíca de um campo se institui em estado incorporado sob a forma de um habitus especíco, ou melhor, de um sentido do jogo, ordi-nariamente designado como um ‘es-  pírito’ ou um ‘sentido’ (‘losóco’, ‘literário’, ‘artístico’ etc.), que prati-camente  jamais  é posto ou imposto de maneira explícita (BOURDIEU, 2001, p. 21, grifo do autor). A partir de uma percepção em re - lação à temporalidade de produção nos campos, Bourdieu chama a atenção à necessidade de uma contínua expulsão  para o passado daqueles que já foram em outro momento a vanguarda, devido ao surgimento de novos espaços para as  possibilidades que vem sendo abertas no campo cientíco. Essa compreen - são evidencia que Bourdieu não pode ser acusado de ser um autor determi- nista que dá à estrutura todo o poder de moldar os indivíduos, pois, ainda que as transformações e a possibilidade da mudança ocorram dentro do espaço de  possíveis congurado pela própria es - trutura, há, sim, uma ação que acabará  por alterar as características estruturais do campo em questão. A cada momento do tempo, em um campo de lutas qualquer que seja (campo social em seu conjunto, cam-  po do poder, campo de produção cul -tural, campo literário etc.), os agentes e as instituições empenhados no jogo são a uma só vez contemporâneos e temporalmente discordantes. O cam- po do presente  não é mais que outro nome do campo de lutas. A contem-  poraneidade como presença no mes -mo presente existe praticamente ape-nas na luta que  sincroniza  tempos discordantes ou, melhor, agentes e instituições separadas por tempo e na relação com o tempo: uns, que se situam além do presente, têm con-temporâneos que reconhecem e que os reconhecem apenas entre os ou-tros produtores de vanguarda e têm  público apenas no futuro: os outros, tradicionalistas ou conservadores, não reconhecem seus contemporâ - neos senão no passado (BOURDIEU, 1996,p. 183, grifo do autor). Assim, essa lógica de mudança  permite que determinadas percepções sejam superadas por outras não de um dia para o outro, mas através de um  processo de lutas históricas que levam algum tempo. Através da familiarização dos agentes sociais com a nova propos-ta estrutural, há uma tendência de que a nova percepção banalize-se até assu -mir completamente o lugar da anterior e torne-se ela mesma “alvo” das novas vanguardas (literária, cientíca etc.). O campo escolástico, assim como o artístico, pretende uma diferenciação em relação ao campo econômico, pois os agentes desses campos estariam pro-curando afastar-se dos problemas ime-diatos, simulando desinteresse (que, na verdade, é interessado, como nos alerta Bourdieu, na medida em que foi cons-truído e aceito historicamente) em rela-
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