ANTROPOLOGIA URBANA Encontro de tradições e novas perspectivas

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  ANTROPOLOGIA URBANAEncontro de tradições e novas perspectivas Gilberto Velho Estou convencido de que um dos maiores interesses e fontes de estímulo para oque denominamos de antropologia urbana é o fato de ser inevitavelmente interemultidisciplinar.Recentemente,temsevalorizado,emquasetodasasáreasdoconhecimento, o diálogo e a comunicação entre diferentes disciplinas e linhasdepesquisa.Nocasoempauta,noentanto,cabeenfatizarquefoiaprópriacom-plexidade da cidade moderno-contemporânea, particularmente das grandesmetrópoles, que levou ao desenvolvimento dessa área de investigação. É a par-tir, sobretudo, da segunda metade do século XIX que pensadores de diferentesorientações passam a se dedicar, de modo mais sistemático, à reflexão e pesqui-sa sobre o meio urbano, precedidos ou contemporâneos das obras de literatos,especialmenteromancistas,comoBalzac,Dickens,Proust,EçadeQueirozeMa-chadodeAssis.Cumpreevitarreduzirasobrasartísticasaumadimensãosocio-lógica,maséinegávelqueemalgumasdelasencontramospercepçõesaanálisesque antecipam ou, pelo menos, ajudam a captar significados e experiências ilu-minadores para as ciências sociais. Acidade é um dos palcos e desafios princi-pais para essa busca de compreensão e conhecimento da sociedade moder-no-contemporânea.Nãochegaasersurpreendentequeissotenhasedadopara-lelamente ao desenvolvimento da própria antropologia como um todo que, deinício,pelomenosnoquetocaacertaslinhagensclássicas,voltou-separaoestu-do do mais distante e do, aparentemente, exótico e remoto. É interessante cons-tatarqueasexpediçõesdeFranzBoasedeMalinowskisãocontemporâneasdasprimeirasetapasdetrabalhomaissistemáticodoqueveioaserconhecidocomoEscola de Chicago. Entre 1892 e 1929, como já se sabe, funcionava na Universi-dade de Chicago um Departamento de Sociologia e Antropologia que teve, en-tre seus expoentes, figuras como William Thomas e Robert Park. Ambos eraminteressados e leitores da literatura sobre sociedades tribais e tradicionais. Bus-cavam identificar e compreender as diferenças socioculturais dentro das gran-des cidades em acelerado crescimento, que consideravam tão importantes deseremestudadascomoasdiferençasentresociedadeseculturasaparentementemais distantes e exóticas. É interessante pensar na formação de alguns dessespensadores. Park, que trabalhou e foi liderança importante na Universidade deChicago entre 1914 e 1936, foi aluno de John Dewey em Michigan, de William Ja-mes em Harvard e de Simmel em Berlim, entre 1899 e 1900. Teve uma carreiramuito rica e diversificada, pois foi jornalista e ativista político, muito ligado a li-deranças negras norte-americanas, como Booker T. Washington, com quem tra- balhou no Instituto Tuskgee, em Alabama, voltado para o estudo de relaçõesraciais. Depois que se aposentou em Chicago mudou-se para a UniversidadeFisk, em Nashville, Tenessee, marcadamente afro-americana. Formou muitos SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 59, 2009, pp.11-18  discípulos e supervisionou diversas pesquisas, inclusive no Brasil. 1 Os interes-ses e trabalhos da chamada Escola de Chicago eram muito diversificados e é im-possível colocá-los em um compartimento estanque. Entre o final do século XIX emeadosdoséculoXXatuaramcomoprofessores,pesquisadoresoualunos,naUni-versidade de Chicago, propriamente dita, profissionais de grande importânciapara o desenvolvimento da ciência social. Além dos já citados Thomas e Park, so-mam-seJohnDewey,G.H.Mead,AlbionSmall,ErnestBurgess,LouisWirth,Eve-rett Hughes, Robert Redfield, Lloyd Warner, Herbert Blumer, W. Foote Whyte,Anselm Strauss, Wright C. Mills, Erving Goffman, Eliot Freidson, Howard S. Bec-ker, entre outros (ver Bulmer, 1984, e Becker, 1996).Como já tive oportunidade de comentar, sabe-se que a Escola de Chicagonão apresentava uma unidade de doutrina, mas era constituída por uma rede deprofissionaiscomtiposegrausdiferentesdeligaçãocomointeracionismo,oprag-matismo, a fenomenologia, a ecologia, e mesmo o marxismo (ver Velho, 2005). Oqueosaproximavamaiseraointeressepelapesquisadosmaisvariadostipos,des-tacando-se o trabalho de campo e a observação participante. Desse modo, mesmoquando separadas formalmente em dois departamentos, as disciplinas antropolo-giaesociologiamantinham-seempermanenteinteração,confirmadacomodesen-volvimento das carreiras de várias gerações. Os objetos de estudo, por sua vez,apresentaramenormevariedademaseram,sobretudo,selecionadosnomeiourba-no, em grande parte na própria Chicago, que tornou-se o laboratório urbano, porexcelência. Mas sua atuação estendeu-se, como já foi dito, por todos os EstadosUnidos e para outros lugares do mundo. Entre outros temas importantes pode-secitar relações raciais, ecologia urbana, carreiras e profissões, grupos desviantes,arte, minorias étnicas, processos de socialização, instituições totais, imprensa, co-municaçãodemassas,bairros,educação,etc.Essaheterogeneidadedeobjetosesti-mulavaodesenvolvimentodeváriaslinhasdeinvestigação,comdiferentesmodosdeolharedeperceberarealidadeque,porsuavez,buscavamedescobriamnovostemas e questões, em um processo de produção científica exemplar.É indiscutível a forte influência de G. Simmel sobre essas várias gerações,umas mais próximas, outras mais distantes, tanto em termos de tempo, quanto deconhecimento do mestre alemão. Nem todos leram com a mesma intensidade eprofundidade a sua obra. Parte dela foi traduzida para o inglês, mas trabalhos im-portantes só vieram a ser conhecidos mais recentemente. Nas primeiras geraçõesde Chicago, havia maior número de leitores de alemão, inclusive pela presença deprofessores alemães, como Louis Wirth, que Becker diz que gostava de ler longascitaçõesemsualínguamaternaduranteasaulas.MasaprópriaobradeSimmelfoisendo descoberta e desvendada no decorrer do século XX, com o aparecimento etradução de novos textos e, também, por outros modos de lê-lo e interpretá-lo. Oque há para se destacar aqui é, sobretudo, a posição de Simmel, não só diante dos 12  Gilberto VelhoSOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 59, 2009, pp.11-18 1 Estiveram e trabalharam no Brasil, por exemplo, Donald Pierson e Ruth Landes, estimuladosporele.AprofessoraLiciadoPradoValladaresvemdesenvolvendoimportantepesquisasobreasrelaçõesdaEscoladeChicago,particularmenteRobertPark,comoBrasil.Parkchegouavisi-tar o Brasil em 1937, já em idade avançada.  estudos da sociedade, mas da realidade em geral. Nada era insignificante e secun-dário.Emboraexistissem,obviamente,temasdeinteressemaisevidente,podia-sechegar a reflexões densas e significativas por caminhos os mais surpreendentes.Escreveusobredinheiroemercado,individualismo,conflito,sociabilidade,músi-ca,prostituição,aventuraeaventureiros,culturassubjetivaeobjetiva,gruposere-des, cultura feminina, formas sociais, ponte e porta, destino, rosto, paisagem, ali-mentação,estética,arteemgeral.Entreoutrosautoresdevariadasáreas,especiali-dadeseorientaçõessobreosquaisescreveupodemoscitarKant,Nietzsche,Rodin,Goethe, Miguel Ângelo, Hegel, etc. Ou seja, seu universo de referências e preocu-paçõesera,praticamente,ilimitado.Nuncapretendeuserum chef d´école  ,nemtevecondiçõesparaisso,poiscomojudeufoidiscriminadoepreterido,nosistemauni-versitárioalemãodaépoca,apesardoapoioquetevedepessoascomoMaxWeber.Só nos últimos anos de vida, já doente, foi efetivado como professor pleno emEstrasburgo.EmBerlimdavacursoseconferências,numaposiçãoprecáriaeinstá-vel em termos da estrutura universitária. As suas aulas eram concorridíssimas.Nesse sentido, tinha multidões de admiradores de várias procedências mas não,propriamente, discípulos no sentido mais escolar do termo. Ele e sua mulher co-mandavam um salão, fenômeno da época, onde recebiam intelectuais, artistas,amigoseadmiradores.Constituía-seemfocodesociabilidadeedeestimulantetro-ca de idéias e debates. Simmel era, pelo que se registrou, um brilhante expositor e,sobretudo, tinha uma abertura intelectual e uma vastidão de interesses, digamos,supradisciplinar. Essa foi uma herança que deixou para as ciências sociais comoum todo, não só para seus seguidores de Chicago. A sua atenção para a metrópoledo século XX expressa exatamente essa amplitude de horizontes.Acomplexidade, dimensão e heterogeneidade dos grandes centros urba-nos moderno-contemporâneos introduzem novas dimensões na experiência ecomportamentohumanos.Esseprocessofoiseevidenciandodemodomaisdrásti-coapartirdaRevoluçãoIndustrial,comosgrandesdeslocamentospopulacionais,migraçõeseprofundastransformaçõesnaestruturaenadivisãosocialdotrabalho,comfortesconseqüênciasparaaproduçãoemgeral.Nuncaserádemaisrelembrara importância dos trabalhos de Marx e Engels, nessas dimensões da vida urbana ena questão da habitação, associadas à reflexão sobre classes sociais. Aespecializa-çãonãosedeusomentenonívelespecíficodotrabalhomas,demodomaisamplo,no que toca à aparição e multiplicação de novos papéis e domínios sociais. Esse éumdospontosemquecreiosercrucialperceberaimportânciadoencontrodedife-rentes tradições intelectuais-acadêmicas e compreender a crescente e inovadoraimportância dos estudos antropológicos na e da cidade.A organização social do meio urbano tem, como mostraram Park e Bur-gess, na dimensão ecológica uma de suas bases. Por outro lado, as relações entreas diferentes categorias sociais dão-se num processo dinâmico em que as variá-veiseconômicas,políticasesimbólicasgeramnovossignificadoscontinuamente.Essa percepção aproxima-nos da noção de  correntes de tradição  cultural, utilizadaporF.Barth,maspodeseraindamaisampliadaseformoscapazesdeestarnãosóatentosàmultiplicidadedecorrentesligadasàdimensãoétnico-culturalmas,emgeral, à própria dinâmica interacional que constitui a sociedade, mais flagrante ANTROPOLOGIAURBANA  13 SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 59, 2009, pp.11-18  na sociedade moderno-contemporânea. Nesse sentido, a já conhecida temáticada fragmentação pode ser vista como talvez um caso limite do repertório básicoda sociabilidade. Daí, também, a importância da análise que focaliza o multiper-tencimento como fenômeno que evidencia o trânsito não só entre diferentes cor-rentes, mas entre distintos domínios e níveis da realidade. Isso nos leva tambémaoencontrodatemáticadasidentidades,presentedemodoexplícitoouimplícitoemboapartedaproduçãodeciênciassociaisaquejámereferi.Coloca-seaques-tão do pertencimento de quem? Embora a resposta possa ser diferenciada, emfunção de contextos histórico-culturais, no campo das ciências sociais, desdeSimmel,pelomenos,estásefalandodeindivíduocomocategoriabásicaconstitu-tiva, através da interação, da vida social. É claro que a partir daí há uma série deperguntas e dúvidas, principalmente em torno de uma possível  consistência iden-titária  individual (ver, por exemplo, Giddens, 1991). É preciso assim compreen-dermelhorasdiferentesnaturezasdainteraçãoquepassampelotradicionalcon-tato  facetoface  ,asmaisvariadasealgumasbemrecentes,comoavirtual,possibili-tada pela informática, computadores,  e-mails  , etc. (ver, por exemplo, Pereira,2008). Thomas e Znaniecky, pioneiramente, examinaram, entre outros casos, acorrespondênciaentrepolonesesnoseutrabalhoclássico ThePolishPeasantinEu-rope and America  (Thomas e Znaniecky, 1996 [1918-1920]). Tratava-se claramentedeumsistemadecomunicaçãoancoradoacódigos,utilizandotécnicaseconheci-mentos culturais específicos. Os exemplos são quase inesgotáveis, mas é funda-mentallembrarqueestamos,aofocalizarinterações,lidandocom redessociais  ,cu- jas extensão e profundidade devem ser, em princípio, avaliadas em situações depesquisa. Nessa direção, uma das áreas de pesquisa mais importantes no desen-volvimentodaantropologiaurbanatemsidooestudodebairros,áreasdacidade,localidades,ruas,espaçosemgeral,emqueformasderelacionamento,organiza-ção e sociabilidade são exercidas. Temos, nessa temática, exemplos importantesemPortugalenoBrasil.Paralelamente,otrânsitodeindivíduosecategorias,im-plicando deslocamento físico e psicossocial, aponta para o permanente dinamis-modavidametropolitana.Ooperárioquesedeslocadaperiferiaparaocentro,oestudante que percorre trilhas urbanas, o  flaneur  , os policiais e os criminosos, osfuncionários indo e vindo de casa para o trabalho, os passeios, peregrinações, re-uniões políticas, cultos religiosos, entre tantos outros exemplos, ilustram essemovimentocontínuoeininterrupto.Osmeiosdetransportecomootremeocom- boio,oônibuseoautocarro,ometrôeometro,alémdeveículosparticulares,via- bilizam,muitasvezes,demodoaparentementecaótico,acirculaçãoentreasdife-rentes áreas urbanas. Para os antropólogos, especialmente, cumpre estar atentoaotrânsitoentreuniversossimbólicoseculturais,comdiferentestiposegrausde attention à la vie  , segundo Bergson, retomado por Schutz (1979). Neste, as noçõesde  provínciadesignificado ede mundos permitem-nosestabelecer,maisumavez,pon-tescom redes de significado deC.Geertz(1978[1973])e correntes de tradição cultural deF. Barth (1989). Creio que uma contribuição importante para a releitura da proble-máticadasidentidadespassapelapercepçãododinamismoecomplexidadedessessistemas de interações, em que os indivíduos se movem, através de trajetórias queraramente são lineares num sentido mais restrito, complexificando as noções de 14  Gilberto VelhoSOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 59, 2009, pp.11-18  consistência identitária e coerência biográfica, acentuadas por situações de de-sencontro e  misunderstanding  (Ichheiser, 1949). A variação é indiscutível e, justa-mente,nainvestigaçãodebiografiasecomparaçãodetrajetóriastemosencontra-dofontespreciosasderenovaçãodapesquisaurbanaesocioantropológicaemge-ral. Dentro das grandes cidades modernas encontramos desde pessoas e grupossociais que mantêm-se, por longos períodos de tempo, em posição socioespacialdeisolamentoeestabilidade,atéasmaisvariadasformasdenavegaçãointensaeexploratória, em alguns casos, quase nomádicas. Voltamos às questões levanta-dasporSimmelsobreculturassubjetivaeobjetivae,emtermosmaisamplos,àte-mática do sujeito e da subjetividade em antropologia e nas ciências sociais comoumtodo.Sabemosquãoantigo,complexoecarregadodeaspectostipicamentefi-losóficoséessetema.Poroutrolado,épontodeencontrodetradiçõesintelectuaisfundamentaisnahistóriadopensamentoedapesquisa.Apróprianoçãodesujei-to não é só fonte de polêmicas e divergências, mas de contestações radicais. Por-tanto,longedemimpretenderdarcontadetodasassuasimplicações.Paraonos-so entendimento, a identidade individual do sujeito é construída através da me-mória — visão retrospectiva e de projetos — visão prospectiva. “Olhando” paratrás e para frente, o agente individual que denominamos de sujeito reinterpreta,com maiores ou menores “ilusões” o seu passado e o seu futuro. Na sociedademodernaindividualistaéfundamentalaidéiadeumacontinuidadesubjetiva,in-teriorque,atravésdemúltiplasediversificadasetapaseinterações,mantémumaconsistência básica.  Self   , ego, entre outras, são noções que permeiam os autores etradições com que temos lidado. O multipertencimento, a fragmentação de pa-péisecontextos,assimcomooutrasanáliseseperspectivas,àsvezestendemare-duzir e minimizar a noção mais convencional de identidade individual a pontode quase dissolvê-la, diluindo-a. Procuro encontrar não, propriamente, uma áu-rea medida ou posição intermediária mas uma perspectiva que, sem congelar oagenteindividualnumaposturaessencialista,reveja-onadinâmicasocioexisten-cial, tão flagrante e mesmo dramática nas cidades e metrópoles onde temos pes-quisado. A ação social dos indivíduos, através de sua permanente interação, só épossível a partir de motivações que são encontradas num jogo entre mundo inte-rior, subjetivo, e práticas e atividades no cotidiano, envolvendo redes sociais emníveis materiais e simbólicos, com especificidades e características próprias. Aexpressão  âncoras identitárias  hoje me parece um tanto pesada, podendo sugerirpouca mobilidade existencial. Para mim, âncora remete a, mais ou menos, pode-rosas belonaves estacionadas num porto ou numa base, o que seria contraditóriocomaintençãodesalientaroquechameide  potencialdemetamorfose deindivíduosvivendo e agindo em  campos de possibilidade  socioculturais (Velho, 1994). Ou seja,a transformação se dá dentro de um repertório mas os matizes, os meio-tons, asambigüidades produzem resultados fascinantes por sua variedade associada aodinamismo dos projetos, desejos e aspirações. Em vez de âncoras, prefiro algoque remeta à memória, em permanente revisão, à socialização, às trajetórias e aescolhascontextualizadas.Semquerersairnumaespéciederomantismoexisten-cialista, tal combinação, sendo possível, valoriza a vertente da história do pensa-mento que explora a temática da liberdade e seus limites. Creio que a produção ANTROPOLOGIAURBANA  15 SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 59, 2009, pp.11-18
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